Uma praga de origem cósmica detona todos os papéis de nosso planeta. Os que existem e os que são construídos. Todos os documentos, registros, livros e fontes de conhecimento e comunicação da humanidade baseados no papel são perdidos. Entramos em colapso e no futuro distante, paleógrafos acham um manuscrito dentro de uma banheira em uma fortaleza subterrânea. E passam a decifrar o significado deste manuscrito, as memórias propriamente ditas, que passam a ser narradas em primeira pessoa, pelo sujeito que se transformará no peregrino do absurdo, do insensato, do desatino sem fim, de um ir e vir em corredores, salas, escritórios, portas e elevadores à procura das instruções de sua missão, seja ela qual for. Lem faz um libelo contra a onipotencia do Estado totalitário. Sim, totalitário e e não autoritário, pois em sua fortaleza subterrânea de inspiração político-religiosa todos são servidores cegos de uma ordem de reconstrução do mundo, só que esta ordem propriamente dita, dilui-se no próprio absurdo de regras, ordens e procedimentos já sem sentido, porque não questionados, apenas seguidos numa corrente sem fim de ordens, contra-ordens, ditames e não-ditames, onde a forma vale mais que o conteúdo, sem que se perca de vista o peso da ideologia fundadora, mesmo que ela, em si, não faça mais sentido para ninguém individualmente
Memórias Encontradas Numa Banheira - Coleção FC nº 1
Stanislaw Lem
Caminho
1984
191 páginas
6h 22m
ISBN-1: 0
Português Brasileiro
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