Caio Fernando Abreu é o autor do amor, mas não desses dois tão em voga: o romântico impossivelmente doce da literatura jovem ou o desequilibradamente sexual dos romances eróticos atuais. Seu amor é uma mistura dos dois em que vários aspectos são contemplados, principalmente em suas facetas homossexual e bissexual.
Publicado primeiramente em 1988, o livro foi bem recebido pela crítica especializada e basicamente ignorado pelo resto da sociedade. O que foi bom ou hoje seria ainda mais difícil achar edições em sebos e nas quase extintas livrarias.
Contudo, não se deve tomar a obra de Abreu como uma levantadora de bandeira. Não era essa sua ideia. Seus dezesseis textos, carregados em experiência própria, falam mais sobre as dificuldades de aceitação e a solidão.
Também há o distinto Rio da década de oitenta... é algo que pode se identificar não apenas nos nomes citados, mas no estilo de vida retratado, nas companhias mencionadas.
É um ótimo trabalho que deveria figurar na lista de livros LGBT, normalmente dominadas por obras internacionais.