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    Os dragões não conhecem o paraíso -

    Caio Fernando Abreu

    Companhia das Letras
    1988
    160 páginas
    5h 20m
    ISBN-10: 858509575X
    Português Brasileiro
    4.4
    1145 avaliações
    Leram2302Lendo93Querem1497Relendo7Abandonos34Resenhas52
    Favoritos225Desejados1497Avaliaram1145

    São histórias de amor. São histórias, fragmentos, de vidas que se envolveram com este sentimento em variadas manifestações e eventos. Mas aqui encontramos esses flagras da realidade de forma tão singela, arduamente realista, mas com picos de extremo romantismo que atenuam e preenchem de doçura as linhas traçadas por este contador de histórias. Observa-se na escrita de Caio Fernando Abreu uma despreocupação com elementos estéticos construídos com cautela para amenizar e empompar as cenas. Mais do que isso, uma tendência quase casual para um naturalismo resgatado, uma admiração pela patologia do comum, do não-enriquecido, como o mais puro e verdadeiro modo de expressar os enredos. É uma escrita forrada de paixão e de um contato próximo com a essência desejante do indivíduo. O conflito do estar desejando, o não-conflito ou a leveza de sonhar, a volúpia do prazer carnal, a culpa ou a naturalidade quanto aos conflitos da sexualidade, porém a certeza de ter o sentimento do amor presente, em suas diferentes etapas, seus fins e meios, seus certos e errados. É um livro de contos entrelaçados por este comum sentimento: o amor. Alguns têm seu final feliz, outros nem tanto ou talvez. Não importa. Importa aqui a intensidade, a força, a pureza, a cumplicidade que aflora nos indivíduos pelo despertar dele em suas vidas. Importa a forma como sentimos o momento presente, quando o amor acontece. E ainda, importa saber construí-lo, cultivá-lo, vivê-lo e preservá-lo. Prêmio Jabuti 1989 de Melhor livro de Contos e Crônicas.

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    Resenhas (52)Ver mais
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    Clio20/06/2022Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Caio Fernando Abreu é o autor do amor, mas não desses dois tão em voga: o romântico impossivelmente doce da literatura jovem ou o desequilibradamente sexual dos romances eróticos atuais. Seu amor é uma mistura dos dois em que vários aspectos são contemplados, principalmente em suas facetas homossexual e bissexual. Publicado primeiramente em 1988, o livro foi bem recebido pela crítica especializada e basicamente ignorado pelo resto da sociedade. O que foi bom ou hoje seria ainda mais difícil achar edições em sebos e nas quase extintas livrarias. Contudo, não se deve tomar a obra de Abreu como uma levantadora de bandeira. Não era essa sua ideia. Seus dezesseis textos, carregados em experiência própria, falam mais sobre as dificuldades de aceitação e a solidão. Também há o distinto Rio da década de oitenta... é algo que pode se identificar não apenas nos nomes citados, mas no estilo de vida retratado, nas companhias mencionadas. É um ótimo trabalho que deveria figurar na lista de livros LGBT, normalmente dominadas por obras internacionais.

    158 curtidas

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    Caio Fernando Loureiro de Abreu

    Caio Fernando Loureiro de Abreu nasceu no dia 12 de setembro de 1948, em Santiago, no Rio Grande do Sul. Jovem ainda mudou-se para Porto Alegre onde publicou seus primeiros contos. Cursou Letras na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, depois Artes Dramáticas, mas abandonou ambos para dedicar-se ao trabalho jornalístico no Centro e Sul do país, em revistas como Pop, Nova, Veja e Manchete, foi editor de Leia Livros e colaborou nos jornais Correio do Povo, Zero Hora, O Estado de São Paulo e Folha de São Paulo. <br /><br />No ano de 1968 — em plena ditadura militar — foi perseguido pelo DOPS (Departamento de Ordem Política e Social), tendo se refugiado no sítio da escritora e amiga Hilda Hilst, na periferia de Campinas, São Paulo. <br /><br />Considerado um dos principais contistas do Brasil, sua ficção se desenvolveu acima dos convencionalismos de qualquer ordem, evidenciando uma temática própria, juntamente com uma linguagem fora dos padrões normais. <br /><br />Em 1973, querendo deixar tudo para trás, viajou para a Europa. Primeiro andou pela Espanha, transferiu-se para Estocolmo, depois Amsterdã, Londres — onde escreveu Ovelhas Negras — e Paris. Retornou a Porto Alegre em fins de 1974, sem parecer caber mais na rotina do Brasil dos militares: tinha os cabelos pintados de vermelho, usava brincos imensos nas duas orelhas e se vestia com batas de veludo cobertas de pequenos espelhos. Assim andava calmamente pela Rua da Praia, centro nervoso da capital gaúcha. <br /><br />Em 1983 transferiu-se para o Rio de Janeiro e em 1985 passou a residir novamente em São Paulo. Volta à França em 1994, a convite da Casa dos Escritores Estrangeiros. Lá escreveu Bien Loin de Marienbad. <br /><br />Ao saber-se portador do vírus da AIDS, em setembro de 1994, Caio Fernando Abreu retorna a Porto Alegre, onde volta a viver com seus pais. Põe-se a cuidar de roseiras, encontrando um sentido mais delicado para a vida. Foi internado no Hospital Menino Deus, onde posteriormente veio à falecer.

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    Rio Grande do Sul, Brasil

    Caio Fernando Loureiro de Abreu