The Thousand Autumns of Jacob de Zoet -

    David Mitchell

    Sceptre
    2010
    480 páginas
    16h 0m
    ISBN-13: 9780340921562

    Os Mil Outonos de Jacob de Zoet -- O pano de fundo exótico para esta trama é o Japão da virada do século XVIII para o XIX. No ano de 1799, o império japonês está totalmente fechado aos estrangeiros, com uma única exceção: na ilha artificial de Dejima, na costa de Nagasaki, seus últimos parceiros comerciais europeus, os holandeses, mantêm uma feitoria. Em busca da fortuna que lhe permitirá casar-se com sua amada Anna, o jovem escriturário Jacob de Zoet parte de navio para o Oriente e acaba sendo incumbido por seu tutor da missão de investigar os registros de Dejima em busca de evidências de corrupção. David Mitchel, o autor, nasceu em 1969, em Worcestershire, na Inglaterra. Viveu anos no Japão e atualmente mora na Irlanda com a esposa e dois filhos. Este é seu quinto romance (anteriormente lançou Ghostwritten, Number9dream,Cloud Atlas e Menino de lugar nenhum). Escrito com grande atenção aos detalhes, numa prosa repleta de episódios cômicos e reflexões filosóficas e históricas, Os mil outonos de Jacob de Zoet mostra por que David Mitchell é reconhecido como grande autor contemporâneo de língua inglesa. Eleito um dos melhores jovens escritores britânicos pela revista Granta em 2003 e indicado a prêmios importantes (foi duas vezes finalista do Man Booker Prize, com o cultuado Cloud Atlas e depois com Os mil outonos de Jacob de Zoet), Mitchell é dono de imaginação fértil e de um estilo escorreito, com o qual transita fluidamente entre gêneros como o romance histórico, a ficção científica e o romance de formação. A tradução é do festejado escritor Daniel Galera, paulista, filho de pais gaúchos e residente em Porto Alegre. O tradutor, ao longo do trabalho, postou na rede alguns trechos com uma prévia de seu projeto. A seguir um desses trechos onde aparece a mão firme de Galera, procurando manter a força da ambientação e o ritmo da frase do original: Da torre da igreja de Domburg, Jacob viu muitas ventanias chegarem a galope da Escandinávia, mas um tufão oriental tem algo de senciente e ameaçador. A luz do dia é violentada; a floresta se debate no crepúsculo prematuro das montanhas; a baía negra enlouquece com as ondas agitadas; golfadas de espuma do mar borrifam os telhados de Dejima; a madeira range e suspira. Os marujos do Shenandoah estão descendo a terceira âncora; o primeiro imediato dá berros inaudíveis no tombadilho. Para o leste, os comerciantes chineses e a equipagem fazem o que podem para proteger o que possuem. O palanquim do intérprete atravessa a Praça Edo vazia; a fileira de plátanos balança e chicoteia; não se vê nenhum pássaro voando; os barcos dos pescadores vão sendo arrastados até a margem e açoitados em grupo. Nagasaki está se recolhendo para uma noite das piores. 'One of the most brilliantly inventive writers of this, or any country’ – Independent ‘A storyteller of genius … a man who may yet prove to be the greatest British writer of his age’ – Mail on Sunday ‘An author of extraordinary ambition and skill’ – Independent on Sunday ‘He possesses an amazingly copious and eclectic imagination’ – Daily Telegraph ‘Open up his head and a whole symphony of inventiveness and ideas will fly out’ – The Times ‘Dizzyingly, dazzlingly good’ – Daily Mail

    Edições (2)

    Ver mais
    • book cover
    • book cover

    Similares (1)

    Ver mais
    • book cover
    Resenhas (1)Ver mais
    Skooblover picture
    Skooblover25/04/2011Resenhou um livro
    3 (Bom)

    The Thousand Autumns of Jacob De Zoet é um livro traiçoeiro. Ele aguarda o leitor com o semblante de uma história clássica de homem versus corrupção, mas mantém sua mandíbula escondida para uma mordida bem maior e mais perigosa. Situado no ano de 1799, no porto de Dejima, no Japão, a única porta de entrada no país para o mundo Ocidental, em particular para a nação holandesa, o livro tem início ao fazer uma crônica da vida de Jacob De Zoet, escriturário da Companhia de Comércio das Índias Orientais, cargo que lhe foi atriuído por seu futuro sogro; sua missão: criar uma fortuna e uma reputação para si mesmo que o torne merecedor da mão em casamento da mulher que ama; para isso, Jacob deverá passar 5 anos no Japão. Um estrangeiro em uma cultura estranha, e um homem correto em meio a comerciantes desonestos, De Zoet é um sonhador, um trabalhador competente que acredita que honestidade e trabalho árduo irão tornar suas ambições reais. Na primeira parte do livro, o autor, o britânico David Mitchell, consegue tecer um retrato extremamente lúcido da estranha sociedade que povoa o porto de Dejima: comerciantes, intérpretes, cozinheiros, médicos, escravos, policiais, procuradores, monges. A primeira coisa que salta aos olhos do leitor é a facilidade com que Mitchell dá uma voz particular a cada personagem e gerencia todos eles de modo a conseguir o registro mais detalhado possível do mundo que criou. O narrador onisciente segue as desventuras de Jacob De Zoet através de uma míriade de diferentes sotaques e culturas, crenças e ambições, ao ponto que o mundo em que ele vive adquire uma realidade palpável ao leitor - tudo feito através de um vocabulário riquíssimo, que sente-se à vontade tanto na poesia dos pequenos detalhes quanto na opulência de grandes discursos. Tudo vai bem, até que De Zoet se apaixone por uma estudante de medicina japonesa, e então o livro dá uma guinada em outras direções. O livro é dividido em cinco partes. Em cada parte, Mitchell muda o foco da narrativa. Essa técnica, a princípio, desarma o leitor, pois ele traz novos elementos e novas abordagens à sua trama que nos pega totalmente desprevenidos (pulando de disputas mesquinhas no porto de Dejima para seitas tenebrosas no interior do Japão, por exemplo). Essa sua capacidade elástica, no entanto, serve para o bem e para o mal. Em seus melhores momentos, não parece haver limite para a capacidade narrativa de Mitchell, que navega com fluência pelos mais diversos cenários e pelas mais diversas intrigas. Em seus piores momentos, no entanto, o leitor pede que ele abandone um tanto sua exibicionice e simplesmente termine de contar o que havia começado (o que ele fará, obviamente, de um jeito ou de outro). O tema final do livro talvez seja a maneira como o contato com uma cultura diferente da nossa tende a trazer à tona o nosso melhor e o nosso pior lado. Essa preocupação é constante ao longo do livro, mesmo com as digressões da trama. Ela está presente na ação de cada personagem. Algumas das passagens do livro são memoráveis, algumas parecem excesso do autor, mas o conjunto final, assim como o protagonista, é fascinante por sua riqueza. É um trabalho imperfeito, mas orgulhoso (às vezes até demais), de suas imperfeições.

    2 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.2 / 6
    • 5 estrelas17%
    • 4 estrelas17%
    • 3 estrelas50%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas17%