A premissa de O Mandarim já é conhecida do grande público por ser um dilema moral amplamente discutido não apenas em cursos de Filosofia e afins, mas também em outros livros, em filmes e até mesmo em músicas: "Você mataria alguém por dinheiro?" O personagem principal sim.
Teodoro é o tipo preferido de Eça de Queirós - um homem com educação universitária que já foi ou é um empregado público, ou seja, alguém que deveria ser acima de qualquer suspeita, mas que na verdade é moralmente fluído.
Diferente de outra obra clássica, Crime e Castigo de Dostoiévski, o enfoque da obra não é no intimismo que desnuda a alma e expõe o remorso. Teodoro não se arrepende de seu ato indecente o que ele sente é medo da represália.
Apesar de toda a carga dramática do enredo, o texto é leve, quase humorístico. O autor critica a sociedade claramente, mas seu olhar é suave, gentil, quase bonachão. O deboche sempre foi marca registrada em seu estilo e aqui ele aparece em cada parágrafo.
Recomendo.