Um dos primeiros romances que Connelly escreveu com o seu detetive da polícia de Los Angeles, Harry Bosch, e certamente um dos melhores.
Harry Bosch está sendo processado sob a alegação de ter matado um homem inocente. Enquanto isso, ele está começando a investigar um novo crime - A loura de concreto - que parece um crime do assassino que ele alvejou - e que está morto. Será que seus acusadores tem razão? Será que ele acabou matando o homem errado?
Também, a vida pessoal de Harry caminha numa linha doce-amarga, já que a mulher com quem se relaciona deseja conhecê-lo melhor, aproximar-se mais dele - e Harry não sabe se está pronto para essa vulnerabilidade.
Vemos todos os problemas de Bosch, sua paixão pelo trabalho policial - sua "missão", como ele sempre se viu: como alguém vocacionado para ser detetive, para dar tudo de si no que faz - seu sentimento ferido ao ser traído por um colega, sua mágoa, sua (afinal) generosidade - e Connelly é hábil para não enfatizar isto: ele apenas mostra as atitudes de Harry, dono de um grande coração - seus auto questionamentos, sua sensibilidade, sua dedicação e - mesmo - sua doçura entrevista, só espiada (como sempre, Connelly não acentua, não frisa; que maravilha ler um autor que sabe escrever! ) e vamos acompanhando uma excelente trama policial, cujo ritmo jamais cai, e nos faz roer as unhas e devorar página após página.
Caracterização de personagens - não só Bosch - de primeiro nível, observações sutis, e a certa altura, uma impressão de sua prosa: poesia em prosa urbana. Sobre L.A., sobre as ruas, bairros, sobre esperança vs. desespero, sobre um trabalho - uma missão - que nunca termina, nunca descansa;
Vida longa a Michael Connelly. E vida longa ao seu admirável, doce, humano, verdadeiro, intenso, generoso, apaixonado Harry Bosch.