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    Bahia de Todos os Santos -

    Jorge Amado

    Livraria Martins Editora
    1968
    311 páginas
    10h 22m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    3.8
    234 avaliações
    Leram591Lendo71Querem726Relendo1Abandonos27Resenhas33
    Favoritos1Desejados726Avaliaram234

    “Esse é bem um estranho guia”, diz Jorge Amado no “Convite” que abre Bahia de Todos-os-Santos. “Com ele não verás apenas a casca amarela e linda da laranja. Verás igualmente os gomos podres que repugnam ao paladar.” Essas palavras resumem o espírito deste livro sui generis sobre a cidade de Salvador. Escrito originalmente em 1944, no auge da luta antifascista, manteve em suas sucessivas atualizações a abordagem visceral que o transformou numa obra ao mesmo tempo de celebração dos esplendores da cidade e de denúncia de suas muitas mazelas. A versão definitiva só ficou pronta em 1986. Quem melhor do que Jorge Amado, que cantou em tantos livros a “cidade da Bahia”, povoando suas ruas com personagens inesquecíveis, para fazer esse retrato de corpo inteiro da capital baiana? Pelas páginas deste livro desfilam as belezas arquitetônicas da metrópole - suas igrejas, átrios e palácios, suas ladeiras e ancoradouros -, bem como seus encantos naturais - praias, matas, morros, lagoas -, mas também o lado miserável da cidade, seus cortiços malcheirosos, a falta de saneamento e infraestrutura, o desamparo e a doença. Aqui e ali, fotografias de Flávio Damm utilizadas na edição de 1961 pontuam o que vai sendo descrito. Não se trata de um guia preocupado apenas com a descrição do pitoresco, mas de uma narrativa múltipla sobre o cotidiano da cidade e suas transformações ao longo das décadas. Do dia a dia do trabalhador braçal às receitas de quitutes baianos, da arte dos mestres da capoeira ao misticismo dos terreiros de candomblé, dos pequenos crimes dos “capitães da areia” à dura poesia dos pescadores e mestres de saveiros, da universidade às festas religiosas e pagãs, a vida de Salvador pulsa a cada parágrafo. Moradores da cidade, ilustres ou anônimos, são evocados aqui com a mesma vitalidade e frescor dos personagens dos romances do autor, convertido em cicerone que abre as portas de sua grande casa aos leitores do mundo.

    Edições (4)

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    Resenhas (33)Ver mais
    Steffane Cavalcanti Rodrigues picture
    Steffane Cavalcanti Rodrigues11/05/2010Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Para mim uma das melhores descrições da Bahia - juntamente com o documentário Maria Bethânia do Brasil, de Hugo Santiago. Jorge Amado descreveu a Bahia, mais precisamente a cidade de Salvador, de forma poética e simples, apenas como um verdadeiro amante da cidade poderia vê-la, e senti-la! Esse livro é um guia completo dos eventos, das personalidades (mas com certeza faltam muitas), das ruas, do estilo de vida, da cultura, religião, do modo de ser baiano! Dá para ver que ele foi escrito de maneira apaixonada, senti como se Jorge Amado fosse um poeta apaixonado diante da sua musa - Salvador; apesar de não deixar de falar das problemáticas da cidade! "Essa é a minha cidade e em todas as muitas cidades que andei, eu a revi num detalhe de beleza. Nenhuma assim, tão densa e oleosa. Nenhuma assim, para viver. Nela quero morrer, quando chegar o dia. Para sentir a brisa que vem do mar, ouvir à noite os atabaques e as canções dos marinheiros. A Cidade da Bahia, plantada sobre a montanha, penetrada de mar." Obrigatório para todo baiano!

    14 curtidas

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    3.8 / 234
    • 5 estrelas24%
    • 4 estrelas33%
    • 3 estrelas32%
    • 2 estrelas9%
    • 1 estrelas1%
    Jorge Leal Amado de Faria profile picture

    Jorge Leal Amado de Faria

    Foi um dos mais famosos e traduzidos escritores brasileiros de todos os tempos. Ele é o autor mais adaptado da televisão brasileira, verdadeiros sucessos como Tieta do Agreste, Gabriela, Cravo e Canela e Teresa Batista Cansada de Guerra são criações suas, além de Dona Flor e Seus Dois Maridos e Tenda dos Milagres. A obra literária de Jorge Amado conheceu inúmeras adaptações para cinema, teatro e televisão, além de ter sido tema de escolas de samba por todo o Brasil. Seus livros foram traduzidos em 55 países, em 49 idiomas, existindo também exemplares em braille e em fitas gravadas para cegos. Amado foi superado, em número de vendas, apenas por Paulo Coelho mas, em seu estilo - o romance ficcional -, não há paralelo no Brasil. Em 1994 viu sua obra ser reconhecida com o Prêmio Camões, o Nobel da língua portuguesa.

    175 Livros
    2.246 Seguidores
    Bahia, Brasil

    Jorge Leal Amado de Faria