Bahia de Todos os Santos - Guia de ruas e mistérios

    Jorge Amado

    Martins Fontes
    1972
    160 páginas
    5h 20m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro

    Esse é bem um estranho guia, diz Jorge Amado no Convite que abre Bahia de Todos-os-Santos. “Com ele não verás apenas a casca amarela e linda da laranja. Verás igualmente os gomos podres que repugnam ao paladar.” Essas palavras resumem o espírito deste livro sui generis sobre a cidade de Salvador. Escrito originalmente em 1944, no auge da luta antifascista, manteve em suas sucessivas atualizações a abordagem visceral que o transformou numa obra ao mesmo tempo de celebração dos esplendores da cidade e de denúncia de suas muitas mazelas. A versão definitiva só ficou pronta em 1986. Quem melhor do que Jorge Amado, que cantou em tantos livros a “cidade da Bahia”, povoando suas ruas com personagens inesquecíveis, para fazer esse retrato de corpo inteiro da capital baiana? Pelas páginas deste livro desfilam as belezas arquitetônicas da metrópole - suas igrejas, átrios e palácios, suas ladeiras e ancoradouros -, bem como seus encantos naturais - praias, matas, morros, lagoas -, mas também o lado miserável da cidade, seus cortiços malcheirosos, a falta de saneamento e infraestrutura, o desamparo e a doença. Não se trata de um guia preocupado apenas com a descrição do pitoresco, mas de uma narrativa múltipla sobre o cotidiano da cidade e suas transformações ao longo das décadas. Do dia a dia do trabalhador braçal às receitas de quitutes baianos, da arte dos mestres da capoeira ao misticismo dos terreiros de candomblé, dos pequenos crimes dos “capitães da areia” à dura poesia dos pescadores e mestres de saveiros, da universidade às festas religiosas e pagãs, a vida de Salvador pulsa a cada parágrafo. Moradores da cidade, ilustres ou anônimos, são evocados aqui com a mesma vitalidade e frescor dos personagens dos romances do autor, convertido em cicerone que abre as portas de sua grande casa aos leitores do mundo.

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    Steffane Cavalcanti Rodrigues picture
    Steffane Cavalcanti Rodrigues11/05/2010Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Para mim uma das melhores descrições da Bahia - juntamente com o documentário Maria Bethânia do Brasil, de Hugo Santiago. Jorge Amado descreveu a Bahia, mais precisamente a cidade de Salvador, de forma poética e simples, apenas como um verdadeiro amante da cidade poderia vê-la, e senti-la! Esse livro é um guia completo dos eventos, das personalidades (mas com certeza faltam muitas), das ruas, do estilo de vida, da cultura, religião, do modo de ser baiano! Dá para ver que ele foi escrito de maneira apaixonada, senti como se Jorge Amado fosse um poeta apaixonado diante da sua musa - Salvador; apesar de não deixar de falar das problemáticas da cidade! "Essa é a minha cidade e em todas as muitas cidades que andei, eu a revi num detalhe de beleza. Nenhuma assim, tão densa e oleosa. Nenhuma assim, para viver. Nela quero morrer, quando chegar o dia. Para sentir a brisa que vem do mar, ouvir à noite os atabaques e as canções dos marinheiros. A Cidade da Bahia, plantada sobre a montanha, penetrada de mar." Obrigatório para todo baiano!

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