Uma história de horror não precisa ter monstros, violência extrema e muito sangue para prender ou afugentar o leitor. Basta criar uma atmosfera de desconforto emocional, e é isso que faz A Casa das Sete Torres. Publicado em 1851, o romance do escritor norte-americano Nathaniel Hawthorne narra uma maldição que persegue uma família por quase 200 anos.
A história começa com um homem sendo acusado de feitiçaria, e chega ao presente com uma herdeira da família Pyncheon, idosa e solitária, habitando a antiga casa. Há apenas um inquilino vivendo em uma das torres, mas o contato entre eles é esporádico. Outros personagens vão surgindo, e algumas pitadas sutis de sobrenatural vão se agregando à trama em meio à densa atmosfera gótica criada pelo autor.
Bruxaria, solidão, cobiça, culpa, mentes atormentadas são temas que temperam a narrativa. A tensão é quebrada por um menino em um dos trechos mais saborosos da história perdoem o trocadilho. E, claro, há lugar para amor e paixão. Justiça? Deixo essa resposta para os leitores.
Fato é que Hawthorne escreveu A Casa de Sete Torres inspirado na história da própria família. Há uma casa com essa característica em Salem, Massachusetts, onde o autor nasceu, e essa casa pertencia a Susanna Ingersol, sua prima. E não é coincidência o fato de que foi nessa cidade da Nova Inglaterra, Estados Unidos, que ocorreu a caça às Bruxas de Salem, em 1692. Antepassados de Hawthorne estiveram envolvidos na acusação de bruxaria a 200 pessoas. Catorze mulheres e cinco homens foram executados por enforcamento, uma idosa por apedrejamento.
A obra fez sucesso no seu lançamento, décadas mais tarde exerceu grande influência na obra de H. P. Lovecraft e teve várias adaptações para a televisão e cinema.
Curiosidade: A família Pyncheon também existiu, e é dela que descende o escritor norte-americano Thomas Pynchon.
Li A Casa de Sete Torres na tradução de Lígia Autran Rodrigues Pereira.