Rosto de garagista, sempre de gabardine. Um cigarro displicente corta obliquamente os lábios, criando um ângulo malicioso, à Bogart. Desconfiou da "marcha da história", enquanto sede e itinerário dos poderes estatais, que começam falando de justiças e acabam organizando polícias. Um libertário de nossa latinidade, um homem trágico que espera acordar qualquer manhã nas vestes do homem feliz. Só se sentia bem entre operários e atores de teatro. Preferiu acertar no sol e errar na história. Deixou, no entanto, um severo afresco de valores humanistas radicais, a serem respeitados em qualquer revolução que deseje ser digna. Estamos agora viajando com ele, num Facel-Vega, a alta velocidade, rumo a Paris. Aproveitemos o pouco tempo que resta de viagem, pois uma fatídica manobra e uma árvore à margem do caminho nos esperam para produzir o barulho insuportável de lataria, pára-brisas quebrados e destino.
Albert Camus - a libertinagem do sol
Horacio González
Brasiliense
1982
120 páginas
4h 0m
ISBN-1: 0
Português Brasileiro
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