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    Demian -

    Hermann Hesse

    Record
    1997
    188 páginas
    6h 16m
    ISBN-10: 850102029X
    Português Brasileiro
    4.3
    11077 avaliações
    Leram16755Lendo1055Querem8654Relendo82Abandonos336Resenhas1169
    Favoritos759Desejados8654Avaliaram11077

    Emil Sinclair é um jovem atormentado pela falta de respostas às suas questões sobre o mundo. Ao conhecer Max Demian, um colega de classe precoce e carismático, Sinclair se rebela contra a convenções de seu tempo e embarca em uma jornada de descobertas. Publicado originalmente em 1919, considerado um divisor de águas na trajetória de Hermann Hesse, reflete os questionamentos do escritor alemão acerca da humanidade, com suas contradições e dualidades. Influenciado pelas ideias de Carl Jung, fundador da psicologia analítica, Hesse descreve o processo de busca do indivíduo pela realização interior e pelo autoconhecimento.

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    Resenhas (1169)Ver mais
    Marcos picture
    Marcos12/08/2009Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    A história de cada um

    É outro livro difícil de se fazer resenha. São tantas passagens marcantes que você precisa parar para reler e refletir, que mal sei por onde começar. Pode se dizer que este é o Lobo da Estepe na juventude. A filosofia do autor, de se fechar em si mesmo e buscar o próprio caminho, fugindo da mediocridade, continua presente, mas através de uma abordagem diferente. A infância narrada gira em torno do descobrimento da dualidade de mundos, do ideal e do real. Nada além do que qualquer um já percebeu em sua própria infância. Kromer, o bullier da história, representa o mundo sombrio e as consequências de experimentá-lo. Os pais de Sinclair são como nossos pais, representantes do mundo ideal. Acreditam que nos afastando do contato com o mundo sombrio estão nos protegendo, quando na verdade, é o caminho da experimentação que nos leva ao amadurecimento e desenvolve nossa consciência do que é bom ou mau para nós. Eis que surge Demian, um garoto que é uma espécie de bom senso na gente. Representa, talvez, nossa versão idealizada, aquele que conhece os dois mundos e já possui uma capacidade desenvolvida de discernimento. Nesse ponto, com a ajuda de Demian, Kromer já deixa de ser uma ameaça, o que pode ser uma alegoria da razão superando os medos irracionais do desconhecido assustador. Já na adolescência, outras figuras surgem para auxiliá-lo em seu amadurecimento. Pistorius é o personagem que mais achei interessante, cheio de aforismos que te fazem parar para refletir. Faz mais ou menos o papel de Demian na infância, ao guiá-lo num momento em que se achava perdido. Só que mais uma vez a idéia de ser mestre de si mesmo é ressaltada, quando Sinclair descobre que Pistorius têm suas limitações e não pode simplesmente ensinar o seu caminho. É preciso continuar caminhando com suas próprias pernas. Sinclair conhece Eva, a mãe de Demian. Assim como em "Lobo da Estepe", é a figura feminina idealizada, madura e experiente, que o ajuda no seu desenvolvimento final, como aquele que tem a marca de Caim. A referência a Caim é apenas uma das inúmeras passagens bíblicas do livro, o que não ocorre por acaso. O livro não é apenas uma jornada de auto-conhecimento, mas uma crítica social à moral judaico-cristã, que padronizaria comportamentos e não te induziria à reflexão. Assim como em Sidarta Hesse trouxe sua própria interpretação do Budismo, ao rejeitá-lo como uma doutrina ensinada por mestres e aceitá-lo apenas como auxiliar do auto-conhecimento, o personagem Demian utiliza o mesmo raciocínio ao analisar referências bíblicas e personagens de outras mitologias. Já escrevi bastante e ainda há muito o que ser comentado, como as influências de Jung e Nietzsche na obra, as interpretações oníricas, etc. Não tem jeito, só lendo e formando sua opinião. Eu acho que tem muito o que agregar a uma pessoa, deveria ser um livro para jovens, que naturalmente estão confusos e em formação de suas personalidades. Porém, a perspectiva ética, como sempre nas obras do autor, é deixada para segundo plano. Não ignorada, mas o suficiente para confundir uma pessoa que ainda não desenvolveu seu próprio código de conduta. Não amadureceu o suficiente para entender que o que o autor disse sobre questionar a moral vigente não é simplesmente passar por cima do próximo e fazer o que bem entender.

    233 curtidas

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    Avaliações

    4.3 / 11077
    • 5 estrelas44%
    • 4 estrelas35%
    • 3 estrelas16%
    • 2 estrelas4%
    • 1 estrelas1%
    Hermann Hesse profile picture

    Hermann Hesse

    Hermann Hesse foi um escritor alemão, que em 1923 naturalizou-se suíço. Nascido no seio de uma família muito religiosa, filho de pais missionários protestantes (pietistas, como é típico da Suábia) que tinham pregado o cristianismo na Índia. Estudou no seminário de Maulbronn, mas não seguiu a carreira de pastor como era da vontade de seus pais. Tendo recusado a religião, ainda adolescente, rompeu com a família e emigrou para a Suíça em 1912, trabalhando como livreiro e operário. Acumula então sólida cultura autodidata e resolve dedicar-se à literatura. Travou contato com a espiritualidade oriental a partir de uma viagem à índia em 1911 e com a psicanálise por meio de um discípulo de Carl Gustav Jung, em decorrência de uma crise emocional causada pela eclosão da Primeira Guerra Mundia

    121 Livros
    927 Seguidores
    Baden-Württemberg, Alemanha

    Hermann Hesse