Quando a editora Novo Conceito divulgou esse livro no Twitter, eu achei que a história fosse uma coisa completamente diferente daquela que eu li. Pensei, em primeiro lugar, que eu não ia gostar da história por parecer que ela é mais voltada para o público feminino. Mas quem disse que existe histórias que somente agradarão a meninos e meninas?
Natalie Sterling é uma garota incomum por vários motivos. Ela simplesmente não quer se destacar na sua escola apenas por sua beleza, a qual dá pouco valor. Seu talvez maior sonho é ser lembrada como a presidente do clube estudantil que fez algo para mudar o modo como os calouros eram recebidos para o primeiro ano do ensino médio.
Para os meninos, Natalie não queria explicar muita coisa. Apenas que eles tivessem a decência de usar camisinha, fazer suas lições de casa e passar desodorantes em seus sapatos. Para as meninas, ela queria que as garotas tivessem mais noção dos perigosos que os garotos representavam para não acabarem sendo uma "isca de peixe". Porque para ela os garotos apenas queriam pegar as meninas e ficar se gabando por aí, como se elas fossem troféus.
"É por isso que confiar em garotos era igual a beber e dirigir. Claro, alguns correm o risco. O fato de tomar uma ou duas cervejas nunca parece perigoso no começo." Pág. 11
O que eu mais me identifiquei com a personagem é essa determinação de se provar não pelo seu exterior e sim por suas capacidades intelectuais. Não que eu seja lindo, tesão, bonito e gostosão ou um nerd. Mas acho que o que falta muito nas pessoas hoje em dia é dar valor mais às pessoas pelo que elas intimamente são do que por seus corpos perfeitos (Feios, oi). Mas isso faz com que pessoas, como Natalie e eu, nos sentirmos sozinhos e agarrados a poucas coisas e pessoas para nos provar.
Natalie, no caso, tenta de todas as formas usar sua até então melhor amiga, Autumn, como exemplo do que as calouras não deveriam fazer. Mas ela não percebe como ser o bode expiatório fere os sentimentos da amiga. Até que "Atum", como eu a chamo, toma uma decisão que faz com que Natalie se sinta péssima.
"Para mim, chorar sozinha no corredor parecia algo completamente impossível." Pág. 170
Depois, Natalie começa a se envolver com um dos caras mais bonitos e populares da escola, às escondidas. Seu nome é Connor Hughes. Isso porque ela não tem certezas de seus sentimentos. Natalie muitas vezes é determinada e isso faz com que as pessoas tenham por ela uma imagem de durona. Talvez algumas pessoas não gostem muito dela, mas creio eu que muitas vão entender seu feminismo. Ela não se expoem fisicamente, ela não acha que uma mulher precise fazer isso para chegar a algum lugar.
Eu concordo com várias coisas que ela diz. Principalmente sobre o fato de que as pessoas que sempre fazem coisas certas não poderem errar uma única vez sem que alguém jogue uma pedra bem grande no meio da cara delas. E como a opinião a seu respeito pode ter uma mudança drástica.
"É com essa rapidez que a percepção das pessoas muda. Só é preciso errar uma vez, tomar uma decisão estúpida." Pág.214
Gostei muito mesmo do livro. Achei o final bem corrido, creio que a autora podia ter abordado um pouco mais da linha para a qual ela levou a história. Mas não é um final decepcionante. É um livro com uma leitura muito leve, mas não tanto quanto Anna e o Beijo. Enquanto Anna e o Beijo está mais para comédia romântica, Não sou este tipo de garota, querendo ou não, acaba dando algumas lições que servem para todo mundo, menino ou menina.