Memorial de Maria Moura (Coleção Folha Grandes Escritores Brasileiros #6) -

    Rachel de Queiroz

    Folha de São Paulo
    2008
    606 páginas
    20h 12m
    ISBN-13: 9788599896310
    Português Brasileiro

    Numa longa jornada literária e jornalística, e que ocupa, com sua persistência e fidelidade, quase todo o século XX, Rachel de Queiroz jamais se despojou de sua condição primordial. Aos oitenta e dois anos, publicava este "Memorial de Maria Moura" que é a culminância surpreendente e magistral de sua obra e de sua vida. ==================================== 'Memorial de Maria Moura', Prêmio Jabuti 1993, foi o último romance da escritora, publicado quando ela tinha 82 anos e considerado sua obra-prima. Rachel entrou para a história da literatura brasileira por vários motivos: foi uma das precursoras do romance regionalista com 'O Quinze', lançado quando ela tinha 19 anos, a primeira mulher a ingressar na Academia Brasileira de Letras, em 1977, e uma das melhores cronistas brasileiras do século XX. É no Brasil rural do século XIX que se passa a história de Maria Moura. Ela tinha apenas 17 anos quando encontrou a mãe morta, foi violentada pelo padrasto e viu suas terras serem cobiçadas por primos inescrupulosos. Uma mulher vulgar sucumbiria a tantas adversidades, mas Maria Moura possuía outro temperamento.

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    Clio picture
    Clio14/03/2015Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    "Nunca vi rastro de cobra, nem couro de lobisomem, se corrê o bicho pega, se ficá o bicho come" Esse definitivamente vai para a estante. Num mundo fantástico em que hoje as meninas são soterradas por avalanches de heroínas insossas e submissas, temos Maria Moura - ops, Dona Maria Moura - que não permite que nenhum cabra lhe falte ao respeito. Alguns ainda se lembram da minissérie com Glória Pires, mas se não é do seu tempo, não se preocupe, o livro vale ser lido por si só, quer com aceno ao feminismo ou não. A história, passado no sertão, retrata a vida de um povo que praticamente nada sabe além daquilo que acontece em seu quintal... No pequeno espaço em que se situa a história, famílias se matam por pedaços de terra, crimes de morte acontecem para lavar a honra e o cangaço adquire não a forma do ativismo político que hoje tantos historiadores e jornalistas parecem abordar, mas sim a uma confluência de política e miséria - mas principalmente da última - pois, como diria o Beato Romano, que sabem eles da vida do imperador? Há vários personagens no livro que são assim, simples em relação ao que acontece em seu próprio país, porém não há, nem por um instante, a ideia de que os personagens são simplistas. O sertanejo é um ignorante, mas não um bruto. E voltando novamente a Maria Moura, esse é o tipo de mulher que basicamente todas as leitoras deveriam conhecer. Forte sem ser cruel, firme sem ser insensível. Não confundam Maria Moura com um Virgulino de saias, você não vai ter a impressão de estar lendo sobre um homem ou pior ainda, uma personagem desexualizada - praga que domina a literatura e o cinema, pois aparentemente, para uma mulher ser levada a sério, ela não pode ser sensual. Recomendo.

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