Entrar
    Skoob logo

    Saiba mais

    Quem somosTermos de usoFale conoscoCentral de ajudaPrivacidade

    Fique por dentro

    Livros em destaque

    Explore

    LivrosAutoresEditorasLeitoresCortesias

    Siga nas redes sociais

    Baixe o app

    Google PlayApp Store
    Book cover
    Compartilhar
    Editar
    • Sinopse
    • Edições2
    • Vídeos0
    • Grupos0
    • Resenhas19
    • Leitores183
    • Similares3

    Planeta do Exílio - Coleção Argonauta nr 383

    Ursula K. Le Guin

    Editorial Livros do Brasil
    1989
    192 páginas
    6h 24m
    ISBN-1: 0
    Português
    4
    52 avaliações
    Leram73Lendo6Querem104Relendo0Abandonos0Resenhas19
    Favoritos1Desejados104Avaliaram52

    Planet of Exile (1966) - Hainish Series. Capa: A. Pedro. '-' Ursula K. LeGuin, uma das grandes escritoras de ficção-científica, com renome mundial, é a autora do próximo volume da Colecção Argonauta, intitulado Planeta do Exílio. Texto inigualável, quer como curioso exercício de estilo quer como exemplo da mais ousada imaginação, ela como que nos introduz no fantástico universo que o Inverno domina durante anos seguidos. Nos últimos dias da última fase da Lua de Outono, o vento começou a soprar vindo das cordilheiras setentrionais, varrendo as florestas moribundas de Askatevar, um vento que trazia consigo o cheiro a fumo e a neve. Ligeira e furtiva como um animal selvagem, agasalhada nas suas peles, a rapariga Rolery esgueirava-se entre o arvoredo, fazendo esvoaçar as folhas caídas, mantendo-se afastada das muralhas de pedra se erguiam no flanco da colina de Tevar, evitando também as leiras despidas da última colheita. Seguia sozinha, e ninguém a chamou. Prosseguiu ao longo de uma trilha quase invisível, virada a poente, debaixo de inúmeras raízes, desviando-se de troncos caídos ou de enormes montículos de folhas mortas. Quando a trilha se bifurcou, no sopé da montanha da fronteira, a rapariga seguiu a direito mas, antes de ter podido dar dez passos que fosse, rodou lesta sobre os calcanhares, ao ouvir um restolhar ritmado que se aproximava por detrás. Um corredor surgiu a descer a trilha do norte, pés descalços a martelarem o solo recoberto de folhas, a longa fita que lhe amarrava o cabeço a esvoaçar nas suas costas. Vinha do norte, sempre na mesma passada calma, ágil e incansável, e nem sequer olhou para Rolery, escondida entre as árvores; pouco depois desaparecia da vista. Levava-o o vento, seguia para Tevar com as novidades - tempestade, desastre, Inverno, guerra... Desinteressada, Rolery virou costas e seguiu o seu caminho evasivo, ziguezagueando colina acima por entre os descomunais troncos mortos e gemebundos, até que por fim, ao chegar à crista, viu o céu clarear à sua frente, e por baixo do céu o mar azul. O flanco poente do monte fora limpo de árvores. Abrigada debaixo de uma laje, a rapariga podia contemplar o remoto e radiante ocidente, o cinzento infindável da planície alagadiça e, um pouco abaixo dela e à direita, muralhada e com os seus telhados vermelhos, alcandorada nos penhascos da orla marítima, a povoação dos nascidos-distantes. Altas, pintadas de cores garridas, as casas em pedra amontoavam-se umas a seguir às outras, janelas viradas para janelas, tectos seguidos por tectos, descendo os rochedos até à beira do precipício. Do lado de fora das muralhas, para lá dos penhascos, do lado sul da povoação, o solo alisava-se em campos de cultivo e em pastagens, todas elas aos socalcos, cheias de represas e canais de irrigação, cuidadosamente alinhadas como o padrão geométrico de um tapete. Da muralha da cidade, à beira das falésias, passando por cima de dunas e diques, a direito, a caminho da praia e das brilhantes línguas de areia, estendendo-se por mais de quinhentos metros, sobressaía uma ponte assente em imensos arcos de pedra, ligando o povoado a uma estranha ilha negra isolada no meio do areal. Um penhasco agreste, negro e cheio de sombras negras, qual dedo a sair das areias límpidas e reverberantes, um rochedo obscuro e tenebroso, com o topo curvado e esguio, uma escultura demasiado fantástica para poder ter sido feita por ventos e marés. Seria uma casa? Uma estátua? Um forte, um monumento funerário? Que magia teria sido capaz de o esventrar para depois construir aquela ponte incrível, nos dias remotos em que os nascidos-distantes eram poderosos e amantes da guerra? Rolery nunca prestara grande atenção às vagas lendas de feitiçaria que andavam normalmente associadas aso nascidos-distantes, mas agora, ao contemplar o dedo negro saído do areal, pôde reconhecer toda a sua surpresa - a primeira coisa verdadeiramente estranha que ela vira em toda a sua vida: construída num passado tão remoto que nada tinha a ver com o seu, construída por mãos que nada tinham a a ver com a carne e o sangue do seu povo, imaginada por mentes alienígenas. Era sinistro, mas atraía-a. Fascinada, a rapariga quedou-se a observar uma minúscula figura que caminhava ao longo da ponte, insignificante àquela altura e, por contraste com a imensidão da construção, um pequeno ponto negro como breu, avançando lentamente na direcção das torres negras nascidas das areias brilhantes. O vento aqui não era tão frio; o sol brilhava por entre as abertas das nuvens, arrancando reflexos dos tectos e ruas por baixo dela. A cidade atraía-a devido à sua estranheza; sem se deter para arranjar coragem ou decisão, indomável, Rolery desceu a saltitar o flanco da montanha e entrou pelo alto portão da cidade murada. Lá dentro manteve o mesmo passo leve e ágil, o andar descuidado que o orgulho a obrigava a adoptar, se bem que o coração lhe parecesse querer sair do peito quando olhava para as lajes cinzentas, lisas e perfeitamente alinhadas da rua alienígena. Olhava para a esquerda e para a direita, de esguelha, para as casas altas e esguias, com os seus telhados esquinudos, reparando, admirada, nas janelas de rocha transparente... afinal a lenda era verdadeira! À frente de algumas das casas havia um rectângulo de terra onde despontavam flores multicoloridas; vinhas virgens roxas e cor de laranja trepavam pelas paredes pintadas de azul ou verde, vividas no meio das tonalidades cinzentas da paisagem outonal. Junto ao portão nascente, a maior parte das casas estavam vazias, soturnas na sua solidão, sem aquelas curiosas janelas brilhantes e transparentes. Mais abaixo, contudo, as casas estavam habitadas, e quando lá chegou começou a cruzar-se nas ruas com alguns dos nascidos-distantes.

    Edições (2)

    Ver mais
    • book cover
    • book cover

    Similares (3)

    Ver mais
    • book cover
    • book cover
    • book cover
    Resenhas (19)Ver mais
    Lucas Andrade picture
    Lucas Andrade11/03/2026Resenhou um livro
    4.5 (Muito bom)

    Sagaz

    Mais um livro do Ciclo Hainish, que mostra um planeta esquecido, anos após os acontecimentos de O Mundo de Rocannon, onde povos vivem em conflito e um grupo de pessoas permanece exilado, esperando por um resgate que pode nunca acontecer. É uma ficção científica, com uma centelha de romance e diversas discussões sobre identidade, preconceito e pertencimento. Em um planeta onde as estações parecem durar para sempre e um inverno longo começa, dois povos vivem próximos e distantes ao mesmo tempo. Uma colônia de terráqueos se estabeleceu ali e está definhando com o passar das gerações, enquanto espera que a Liga os alcance novamente. Já os habitantes originais do planeta, chamados Tevar, nutrem certo preconceito pelo povo que chamam de distantinos, mas acabam precisando unir forças contra um inimigo comum que se aproxima com o frio. O livro é mais maduro que o anterior, e achei a escrita bem mais elaborada, mantendo os mesmos toques de ficção científica e fantasia do livro anterior. Além disso, faz algumas menções a Rocannon e conecta as duas histórias no tempo, esta se passando séculos depois, carregando elementos já apresentados, mas funcionando muito bem de forma independente. O conceito central aqui é a adaptação e a convivência, além do choque cultural, já que, para cada um dos povos que vive naquele planeta, as diferenças falam mais alto, tornando-os “alienígenas” uns para os outros. Toca em temas muito pertinentes e consegue abordar bem questões como harmonia, compreensão do outro e união. Gostei dessa pegada mais filosófica, tão característica da autora, e de como ela foi trabalhada aqui. O livro abre portas para outros acontecimentos da Liga e mostra como essa exploração espacial e a batalha contra um inimigo desconhecido e perigoso foram afetando planetas e civilizações diferentes. É muito bem escrito, com diálogos afiados, personagens de ambos os povos que vão se aproximando e revelam como cada lado precisa superar obstáculos para o convívio comum. Uma ficção espacial com muitas camadas, aventuras e uma história de amor.

    9 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4 / 52
    • 5 estrelas21%
    • 4 estrelas48%
    • 3 estrelas23%
    • 2 estrelas8%
    • 1 estrelas0%
    Ursula Kroeber Le Guin profile picture

    Ursula Kroeber Le Guin

    Ursula K. Le Guin nasceu em outubro de 1929 em Berkeley, na Califórnia, e é filha do antropólogo Alfred Kroeber e da escritora Theodora Kroeber. Estudou na Radcliffe College e na Universidade de Columbia e se casou, em Paris, com o jovem historiador Charles Le Guin. A autora tem uma vasta obra, que inclui poesia, contos e romances, publicada e traduzida no mundo todo. Foi vencedora dos mais renomados prêmios da literatura fantástica: Hugo, Nebula, Locus, Asimov, Lewis Carroll, Shelf, World Fantasy, entre outros. Por O feiticeiro de Terramar, recebeu ainda o prêmio Horn Book, do jornal The Boston Globe. O Ciclo de Terramar, composto por cinco narrativas e um livro de contos, e o romance A Mão Esquerda das Trevas, parte do Ciclo de Hainish, são as suas obras mais conhecidas. Hoje em dia, é considerada uma das melhores autoras do gênero.

    459 Livros
    631 Seguidores
    Califórnia, Estados Unidos da América

    Ursula Kroeber Le Guin