A vida de Lazarilho de Tormes (Adaptado) (Coleção Elefante) - Texto em português de Marques Rebêlo

    Anônimo do século XVI, Diego Hurtado de Mendoza, Marques Rebêlo

    Ediouro / Tecnoprint
    1988
    130 páginas
    4h 20m
    ISBN-13: 9788500901522
    Português Brasileiro

    EL LAZARILLO DE TORMES '-' Foi publicado originalmente em 1554 na Espanha - mais de 50 anos antes do surgimento de Dom Quixote, de Cervantes, em 1605 - e é considerado por muitos o germe do romance moderno, sobretudo das longas narrativas em primeira pessoa, além de ser o primeiro romance picaresco da literatura universal. O protagonista Lázaro - um miserável marginalizado - passa seus dias lutando contra o azar e procurando algo com que saciar o estômago. Se vê na obrigação de inventar estratégias, disfarces, alternativas e de burlar a ordem vigente para não morrer à míngua. Verdadeira sátira social, Lazarilho ridiculariza representantes de toda a escala social da Espanha da época, não poupando sequer os poderosos membros do clericado. O criador do anti-herói Lazarilho é até hoje *incerto e não-sabido*: foram controversas todas as tentativas de atribuir algum nome ao autor deste texto que permanece incrivelmente ágil, jocoso, irônico e bem-humorado. ==== (*) De la "Colección Araluce" o "Biblioteca Araluce" - Editorial Araluce (Barcelona): "Las obras maestras al alcance de los niños" (1912-1914) / "Las grandes obras contadas a los niños": '(...) Junto al género dramático (...) o la picaresca con El Lazarillo de Tormes -- atribuido en esta edición a Diego Hurtado de Mendoza": https://es.m.wikipedia.org/wiki/Diego_Hurtado_de_Mendoza_(poeta_y_diplomático) "(....) Varios autores españoles del siglo XVII, atribuyeron a don Diego Hurtado de Mendoza y Pacheco, 1503 -- 1575, la autoría del Lazarillo de Tormes, la primera novela moderna española, teoría que alcanzó cierta fama sobre todo en el siglo XIX....

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    Higor13/08/2024Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    "1001 LIVROS PARA LER ANTES DE MORRER": LIVRO 21

    A empreitada de ler livros clássicos tem se mostrado tão proveitosa, na maioria das vezes, com leituras fluidas, viciantes e que tiram o leitor de sua zona de conforto sem, necessariamente, traumatizá-lo, ou a mim, pelo menos. "Lazarilho de Tormes", este romance epistolar anônimo, que sofreu várias modificações e censuras, mas sobreviveu a cada adversidade, até que foi encontrada a edição mais antiga, datada de 1554. Mas o que faz esse pequeno romance, aparentemente dispensável e simplório, ser tão importante e de importante leitura? Primeiro pelo fato de que, em meio a onda de romances de cavalaria que permeava à exaustão o meio literário da época, a aparição inexplicável de "Lazarilho de Tormes" se mostrou um alívio, tanto para quem procurava por alternativas e por leituras tão excitantes quanto, como por renovar e dialogar com novos assuntos pertinentes à época. Enquanto os cavaleiros narram suas aventuras épicas e fantásticas da maneira mais brava e honrosa possível, em viagens com o intuito de desbravar o mundo, este pequeno livro se concentra em trazer uma história sem muitas complexidades, através de uma longa carta, onde o autor decide narrar a alguém - que não sabemos de quem se trata, mas a quem, possivelmente, tem um diálogo constante - sua própria vida, como o próprio título nos sugere: "A vida de Lazarilho de Tormes e de suas fortunas e adversidades". A estrutura diferente do padrão da época, uma carta autobiográfica sobre um desafortunado, que, ao menos aparenta, não é importante para a sociedade e não tem nada para acrescentar; somado ao realismo da época, a Espanha do século XVI, com seu falso moralismo, onde apresenta o comportamento sujo da época, fazem com que o personagem-título, Lazarilho, não seja o herói nem o vilão caricato de uma história, mas o antiherói de uma sociedade hipócrita e com diversos problemas sociais, morais e religiosos. Narrando desde o próprio nascimento até como Lazarilho consegue, não sem dificuldades, estabelecer-se como um cidadão digno com muitas aspas, o leitor acompanha as desventuras do personagem, que vão desde a passar fome nas mãos de um cego filósofo ou um padre avarento, ou até mesmo ao parodiar os romances de cavalaria ao fazê-lo entrar em contato com um cavaleiro que finge ser de alto escalão, quando vive, na verdade, em plena miséria. O mais curioso de tudo é que, por mais que os infortúnios do personagem sejam grandes e até mesmo angustiantes, o leitor se mantém atento ao fato de que o próprio personagem é astuto, não confiável e que, no fundo, poderia ser tão maldoso a quem é com ele naquela circunstância. Uma leitura que eu, sinceramente, não dava nada, "Lazarilho de Tormes" se mostrou uma das mais agradáveis surpresas. Sem pompa e momentos épicos, sustenta-se com sua simplicidade e mantém o leitor interessado até a última página. Este livro faz parte do projeto "1001 livros para ler antes de morrer". LIVROS ANTERIORES DO PROJETO LIVRO 01 - A epopeia de Gilgamesh LIVRO 02 - Ilíada LIVRO 03 - Odisseia LIVRO 04 - Fábulas de Esopo LIVRO 05 - Teatro Grego LIVRO 06 - Dao De Jing LIVRO 07 - Eneida LIVRO 08 - Quéreas e Calírroe LIVRO 09 - O asno de ouro LIVRO 10 - Metamorfoses LIVRO 11 - Antologia poética clássica chinesa LIVRO 12 - As mil e uma noites LIVRO 13 - O livro do travesseiro LIVRO 14 - A divina comédia LIVRO 15 - 84 sonetos de amor LIVRO 16 - Decamerão LIVRO 17 - Contos da Cantuária LIVRO 18 - Utopia LIVRO 19 - O príncipe LIVRO 20 - Pantagruel e Gargântua

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