Discurso sobre o Método -

    René Descartes

    Vozes
    2008
    72 páginas
    2h 24m
    ISBN-13: 9788532636980
    Português Brasileiro

    O Discurso sobre o Método tem importância por ser uma explicação generalizada da abordagem que René Descartes aplicou ao estudo de fenômenos físicos, um edifício de conhecimento que abriga tantas coisas de nossa atividade cotidiana. Descartes tentou aplicar à filosofia os métodos indutivos racionais da ciência, e particularmente os da matemática. Nas suas próprias palavras: "Em nossa busca por estrada direta à verdade, não devemos nos ocupar com objeto sobre o qual não podemos atingir certeza igual à da demonstração da aritmética e geometria". Cabe ressalvar que uma ciência fundamentada no raciocínio lógico-dedutivo e na experimentação sistemática, tão poderosa no estudo de fenômenos físicos simples do mundo material, é instrumento por demais rude para compreensão da alma humana. Esta deverá permanecer além do alcance da ciência, como domínio dos místicos, dos artistas e dos bem inspirados estadistas por ser um domínio que escapa a definição de posição por coordenadas cartesianas, x, y, z. Afinal de contas, ão é só de pão que vive o homem.

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    luíza b.05/01/2023Resenhou um livro
    2 (Razoável)

    ⭐️⭐️

    Nota-se ao decorrer do livro que o pensamento filosófico de Descartes se encontra numa ideia individual de sujeito e forma de pensar. René não é percursor do liberalismo (visto que Descartes morreu em 1650 e Adam Smith nasceu em 1723), mas que, especificamente neste livro, existem diversos momentos em que o pensamento cartesiano perpassa por uma lógica individual, do privado. A primazia aos "feitos por uma única mão" e a subversão ao coletivo. Definitivamente foi um nome importante para o avanço do capitalismo. Além disso, o francês deixa bem clara sua religiosidade e fé, que é católica, e o quanto ela influência em sua forma de pensar. Por fim, Descartes parte de um ponto moral e individualista. A dicotomia cartesiana de mente e corpo, emoção e razão é um tiro no pé. Não posso exigir que ele troque razão por materialismo-dialético pois, afinal Hegel e Marx são do século XVIII e XIX, respectivamente. Nota 2, mas pelo esforço e pela tentativa de estruturar uma linha teórica que faça sentido.

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