Os Escravos (L&PM POCKET #46) -

    Antônio Frederico de Castro Alves

    L&PM
    1997
    134 páginas
    4h 28m
    ISBN-13: 9788525406828
    Português Brasileiro

    O poeta baiano Antonio Frederico de Castro Alves (1847-1871), apesar de sua morte precoce, é considerado um dos mais importantes poetas brasileiros de todos os tempos. De formação cultural sofisticada, construiu sua poesia sobre temáticas eminentemente brasileiras, alcançando uma admirável compreensão da alma popular. Com seu lirismo exacerbado compôs poemas antológicos do romantismo brasileiro, mas não afastou-se jamais de sua veia libertária de onde emergiu o poeta social, o republicano, o grande abolicionista, o cantor dos escravos. Alguns poemas, como "O navio negreiro" e "Vozes d'África", obtiveram enorme sucesso popular quando declamados pelo poeta e se transformaram em verdadeiras bandeiras na luta contra a escravidão.

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    INGRID MAYARA ALLEBRANDT14/08/2022Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Poesia da terceira geração do Romantismo

    Toda vez que eu leio o nome de Castro Alves, eu me lembro que nosso país foi a maior nação escravista do planeta, e foi o último país do mundo a abolir a escravidão. Apesar da morte prematura, aos 24 anos de idade, Castro Alves alcançou notável sucesso por conta de sua ênfase na defesa da liberdade. Tornou-se o poeta mais famoso da terceira geração romântica brasileira utilizando as temáticas abolicionista, lírico-amorosa, lírico-social e existencial. Esta obra póstuma de Castro Alves reúne poesias escritas entre 1865 a 1870. Trata-se de um documento histórico-literário da luta abolicionista e do pensamento romântico brasileiro em sua última fase. Castro Alves celebrou a tradição dos oprimidos, rompendo o silêncio sobre a escravidão que as pessoas da elite se esforçavam para esquecer ou disfarçar. Nesse sentido, sua poesia deu voz ao “outro”, àquele que foi trazido do outro lado do Atlântico pela força bruta da máquina escravocrata. Meus poemas favoritos: “A canção do africano” remete à vida em uma senzala pequena e úmida, onde as pessoas escravizadas cantam e choram pela lembrança de sua terra natal. “Mater dolorosa” traz à tona o dilema moral de uma mãe que prefere sacrificar sua criança ao saber que sua sina é ser escravizada. “Tragédia no lugar” retrata uma africana embalando seu filho e cantando lentamente para que ele não chore. A criança ri com o gesto da mãe, mas se assusta com os barulhos que vêm de fora. O canto é interrompido pela chegada de homens brancos, os quais exigem que a mulher entregue seu filho a eles. “Vozes d’África” é um poema narrado pelo próprio continente africano. Na narrativa, o eu lírico se queixa pelo sofrimento de ver seus filhos levados de sua pátria para serem escravizados.

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