A autora estrutura o livro em três grandes seções, cada uma dedicada a um "Iluminismo" específico. O Iluminismo britânico, que ela chama de "sociologia da virtude", é apresentado como o mais original e moralmente fundamentado. Baseado em pensadores como Adam Smith e Edmund Burke, esse modelo valorizava a benevolência, a compaixão e a solidariedade, enraizadas na religião, no comércio e na liberdade. Diferente de uma busca por rupturas revolucionárias, os britânicos priorizavam reformas graduais, refletindo uma confiança nos costumes e nas virtudes sociais como alicerces da civilização.
Em contraste, o Iluminismo francês, apelidado por Himmelfarb de "ideologia da razão", é retratado como radical e utópico. Influenciado por figuras como Rousseau, Voltaire e Condorcet, esse movimento apostava na regeneração da humanidade por meio da razão pura, rejeitando tradições e instituições religiosas. A autora critica essa visão, apontando que a crença na "perfectibilidade humana" culminou em consequências trágicas, como o Reinado do Terror durante a Revolução Francesa, simbolizado pelas decapitações promovidas por Robespierre.
Já o Iluminismo americano, descrito como "política da liberdade", emerge como uma síntese pragmática, fortemente inspirada pelo modelo britânico, mas adaptada ao contexto colonial. Com os federalistas como protagonistas, os Estados Unidos construíram uma sociedade que combinava liberdade individual, instituições sólidas e valores permanentes, resultando em uma nação marcada pela liberdade de imprensa, econômica e religiosa. Himmelfarb destaca que, apesar de suas raízes britânicas, o modelo americano se distingue por seu foco na liberdade como valor supremo, temperado por uma moralidade prática.
A tese central da obra é que o Iluminismo não foi um fenômeno monolítico, mas sim um conjunto de caminhos distintos, cujas diferenças moldaram as sociedades modernas de maneiras contrastantes. Himmelfarb defende que os modelos britânico e americano, com sua ênfase em virtudes sociais e liberdade pragmática, oferecem lições mais duradouras para a modernidade do que o racionalismo abstrato francês.