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    A Farmácia de Platão (Biblioteca Pólen) -

    Jacques Derrida

    Iluminuras
    2005
    128 páginas
    4h 16m
    ISBN-10: 8573212225
    Português Brasileiro
    4.4
    33 avaliações
    Leram94Lendo10Querem143Relendo0Abandonos3Resenhas3
    Favoritos8Desejados143Avaliaram33

    Esta é uma das obras mais consagradas de Jacques Derrida. Tomando como ponto de partida o diálogo de Fedro, de Platão, Derrida nos apresenta aquela que considera sua questão central: escrever é decente ou indecente? Trata-se, à primeira vista, de uma genealogia da escritura, encaminhada por Sócrates e desdobrada por Derrida. A escritura, no mito de Theuth, é apresentada como um phármakon, uma medicina, um remédio. Ora, como nos faz notar o autor, phármakon é um termo ambíguo, de duplo sentido, podendo significar remédio ou veneno, podendo ser benéfico ou maléfico.

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    Rodrigo Almeida picture
    Rodrigo Almeida14/04/2024Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Uma boa porta de entrada para a obra de Jacques Derrida

    Jacques Derrida às vezes é acusado de defender uma espécie de "filosofia free style", sem rigor acadêmico e mais próxima da literatura do que da filosofia. "A farmácia de Platão" desmente todas essas acusações. O texto é uma análise minuciosa do diálogo "Fedro", de Platão, que analisa desde o significado das palavras na língua grega até o simbolismo usado por Platão (há um capítulo inteiro dedicado a Thot, deus egípcio citado no diálogo), passando pelas metáforas presentes nesse e em outros diálogos. A partir dessa análise, Derrida mostra que, apesar do papel subordinado que a escrita ocupa em relação à fala na filosofia de Platão (e em toda a tradição filosófica ocidental), o próprio Platão mostra que a fala depende da escrita, pois as metáforas usadas por ele para descrever a fala remetem novamente à escrita (de fato, Platão fala de uma "boa escritura" da alma, oposta à "má escritura" exteriorizada). Ou seja, ao contrário do que afirmam certas interpretações correntes do pensamento de Derrida, sua posição está muito próxima do materialismo, pois se a fala também depende da escrita é porque ela não pode prescindir de um suporte material para existir.

    6 curtidas

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    4.4 / 33
    • 5 estrelas52%
    • 4 estrelas33%
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    Jacques Derrida

    De origem judaica, mas secular, Derrida nasceu e cresceu na Argélia. Sofreu, durante a época da Segunda Guerra com as consequências das políticas antissemitas. Entretanto, a descoberta dos livros de Jean-Jacques Rousseau, Friedrich Nietzsche, André Gide e Albert Camus, durante a adolescência, contribuíram para sua vocação literária e filosófica. Derrida iniciaria o seu curso superior em 1952 (na École Normale Supérieure), época em que descobriu as obras de Edmund Husserl, Soren Kierkegaard e Heidegger. Entre os professores da École, figuravam Michel Foucault e Louis Althusser; trabalhou como professor auxiliar na Universidade Harvard. Tornou-se professor em 1959, na escola secundária de Le Mans, e entre1960 a 1964 ele deu aulas na Sorbonne; no ano de 1964 obteve o prémio Jean-Cavaillè (um prêmio para produção em Epistemologia), por sua tradução de A origem da geometria, de Edmund Husserl. Em 1965 foi chamado para dar aulas na École Normale Supérieure, ocupando o cargo de diretor de pesquisas, junto com Louis Althusser. Seria professor naquela escola até 1984. Fundou a associação Jan Hus em 1981, destinada a auxiliar intelectuais dissidentes em universidades da Tchecoslováquia. Derrida foi diretor da École des Hautes Études en Science Sociales, de Paris. Desde 1986 ele era professor de humanidades na Universidade da Califórnia (câmpus de Irvine), onde era também diretor do arquivo de manuscritos. Em 2001, recebeu o Theodor W. Adorno-Preis, em Frankfurt. Derrida tornou-se professor convidado das mais prestigiadas universidades europeias e norte-americanas — como Johns Hopkins, Yale, Irvine, Cornell, Universidade de Nova Iorque, entre muitas outras. Foi-lhe igualmente outorgado o Doutoramento Honoris Causa por diversas universidades como a Cambridge, Columbia, The New School for Social Research, Essex, Leuven, Williams College, Universidade de Silesia, Universidade de Coimbra entre mais de uma outra dezena delas. Em 2002 foi nomeado para a Cátedra - Gadamer na Universidade de Heidelberg por designação expressa do próprio filósofo alemão. Foi membro estrangeiro honorário, desde 1985, da American Academy of Arts and Sciences e da Modern Language Association of America, assim como Presidente honorário do Parlement International de Écrivains. Exerceu profundo impacto nas mais diversas áreas das humanidades e ciências humanas, em especial nos campos da estética, teoria da literatura e filosofia do direito, e gerado debates decisivos com os pensadores mais importantes de sua época (Claude Lévi-Strauss, Michel Foucault, John Searle, Paul Ricoeur, Jürgen Habermas, entre outros). Derrida esteve no Brasil três vezes: em 1995, na Universidade de São Paulo (USP) e na Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo; e em 2001, no Rio de Janeiro, e em agosto de 2004, em evento organizado na Maison de France, no Rio de Janeiro.

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    Jacques Derrida