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    No Caminho de Swann - Em Busca do Tempo Perdido - vol. 1

    Marcel Proust

    Ediouro
    1992
    376 páginas
    12h 32m
    ISBN-10: 850060901X
    Português Brasileiro
    4.3
    1583 avaliações
    Leram2552Lendo737Querem4634Relendo21Abandonos326Resenhas135
    Favoritos2Desejados4634Avaliaram1583

    Proust foi o primeiro a fazer do duplo sensação-lembrança a matéria-prima de sua obra. O realismo psicológico do escritor, sua preocupação com o tempo e a memória, surgiram como algo totalmente novo, diverso e inclassificável. Além de usar técnicas narrativas já conhecidas, como a do flash-back, Proust utilizou uma técnica de comparações inusitadas, através da qual desenvolveu sua prospecção psicológica. Suas frases têm uma construção musical e harmoniosa, fruto do trabalho de um escritor, que conhecia, como poucos, o material de que se utilizava: a língua francesa. É por estas razões que o enredo, a história propriamente dita, tem importância secundária em sua obra. Pois na verdade em Proust o que importa não são os encadeamentos narrativos, mas sim a análise psicológica, as comparações e conexões estabelecidas e, acima de tudo, a luta do espírito criador para afirmar-se e deixar a sua marca, contra o tempo que tudo arrasta e destrói.

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    Skooblover picture
    Skooblover18/06/2009Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Uma epifania que só o tempo trás

    Essa resenha é puramente pessoal. Seu intuito é quase como o de traçar um mapa, de delinear um caminho, de evocar (eis portanto, a palavra!) o que o tempo perdido e reencontrado, pode trazer. Talvez seja ousadia minha colocar o que vou dizer a seguir: Tem-se que ter uma certa maturidade para se ler Proust. E talvez, mais do que maturidade,tem-se que ter um certo sofrimento e uma certa desilusão com as coisas dessa vida, como se as conhecessemos um pouquinho mais a ponto de poder sorrir ante a fugacidade das coisas, dos sentimentos tais como o amor, o ciúme, não que não sejam importantes, mas devendo ser vistos na sua real perspectiva. O que faz Proust, porém, diante disso? Espiona esses sentimentos, esmiuça-os, como se os estivesse dissecando no laboratório das lembranças perdidas. E com que finura, com que perfeição! Proust pega a chuva que cái,uma folha, um sorriso de menina, um homem atormentado pela escolha amorosa e presa de terríveis ciúmes e insegurança, e como um caleidoscópio de cores ora vibrantes, ora esmaecidas pelo tempo nos mostra toda uma riqueza descritiva, raramente atingida por um outro escritor. Não é somente o tempo perdido que o revisita e nos revisita, é muito mais. É uma menção elegante a determinado pintor, a um certo estilo arquitetônico, a uma Paris mergulhada numa nostalgia de folhas mortas e coches que atravessam as ruas noturnas molhadas; da beleza de mulheres que passeiam pelo Bois, discretamente veladas pelo tule dos chapeuzinhos que lhes escondem os olhos; da aristocracia e da burguesia cheias de regras de bom-tom e etiquetas, enfim, é preciso se esquecer o presente e transportar-se com todos os sentidos, para essa época em que o tempo perdido, encontra o leitor fascinado, como que embalado por uma litania e desejoso de aí permanecer.

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