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    O arquipélago (O tempo e o vento #3) - Vol. 3

    Erico Verissimo

    Editora Globo
    1984
    1012 páginas
    1d 9h 44m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    4.6
    1522 avaliações
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    No último volume de O arquipélago, que fecha a trilogia O tempo e o vento, os conflitos da família Cambará convergem para uma encruzilhada de tempos e memórias. Rodrigo tem um acerto de contas definitivo com o filho, Floriano, que começa a escrever o grande romance de sua vida. A trilogia O tempo e o vento, que inaugura o relançamento da obra completa de Erico Verissimo pela Companhia das Letras, é a saga mais famosa da literatura brasileira. São cento e cinqüenta anos da história do Rio Grande do Sul e do Brasil que o escritor compôs em três partes - O Continente, O Retrato e O arquipélago -, publicadas entre 1949 e 1962. O arquipélago, última parte da trilogia, encerra a história da família Terra Cambará. O Brasil, o Rio Grande do Sul e Santa Fé se modernizam, e não cabem mais nos planos das oligarquias tradicionais. Os Cambarás retiram o apoio ao governo e aderem à revolução libertadora em 1923, ao lado dos arquiinimigos maragatos. No fim do conflito, guarnições militares das Missões se rebelam e Toríbio, o irmão mais velho de Rodrigo, une-se a elas na formação da coluna revolucionária liderada por Luiz Carlos Prestes. Na cidade fictícia de Santa Fé, a família Terra Cambará é abalada por novos conflitos: Toríbio rompe com o irmão e Sílvia, a amada do escritor Floriano, revela seu mundo num diário surpreendente. Tudo converge para uma encruzilhada de tempos e memórias: o doutor Rodrigo tem um acerto de contas definitivo com o filho, Floriano, que começa a escrever o grande romance de sua vida. Na galeria de personagens de O tempo e o vento há figuras fascinantes, comparáveis a grandes ícones da literatura nacional como Peri, Capitu e Macunaíma. A forte Ana Terra, o valente capitão Rodrigo Cambará, a sedutora Luzia Silva e o curioso doutor Carl Winter são apenas alguns desses personagens, eternamente vivos na imaginação dos leitores. Desfilam no romance as disputas entre famílias pelo poder local, regional e nacional; as guerras de fronteira e as civis; a bravura dos homens e a tenacidade das mulheres; a pobreza de meios e a violência contra os desassistidos. Valores caros ao escritor entram em cena: a sobriedade, a liberdade e a coragem - que muitas vezes não estão nos campos de batalha, mas na simplicidade do cotidiano e na resistência capaz de sobreviver aos desmandos políticos. O projeto gráfico de Raul Loureiro e as ilustrações do artista plástico Paulo von Poser respeitam o espírito das primeiras edições de Erico Verissimo, acompanhadas meticulosamente pelo próprio escritor - que chegava a desenhar esboços de personagens e cenários. Além de ilustrar as páginas iniciais de todos os volumes, Paulo von Poser desenhou o mapa do Rio Grande do Sul que ilustra O Continente.

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    Resenhas (71)Ver mais
    Paulo Henrique picture
    Paulo Henrique14/12/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    O fim de uma jornada

    Haveria tanta coisa a ser dita sobre essa obra. Eu nem sei ao certo como escrever uma resenha ao nível da grande saga que eu acabo de ler; talvez o que eu escrevo agora não é sequer uma resenha, mas um relato da experiência. Chego ao fim de uma longa história com personagens que certamente deixaram suas marcas em minhas aventuras literárias, e deixaram também saudades; vou sentir falta de acompanhar as histórias da família Terra Cambará, que por séculos acompanhei a ponto de me sentir agora alguém de casa, ou melhor, alguém do Sobrado. Vou sentir falta dos finais de tarde de discussões no círculo social de Rodrigo, da Dinda, das paisagens serenas do Angico, das aventuras de Bio, das filosofias de Floriano, do diário de Sílvia, das superstições populares antigas e das memórias que guardei dos antepassados da família desde a época que Ana Terra era ainda uma moça. Por fim, sentirei saudade de Santa Fé como quem deixa uma cidade e leva na mala a saudade dos tempos em que lá viveu. Mas aqui é diferente, pois deixo agora uma cidade que acompanhei desde o dia da fundação, passando por todas as brigas de famílias, as gerações de pessoas e o lento desenvolvimento da cidade e seus habitantes. Não sei se voltarei a ler essa obra no futuro, pois tenho outras tantas, mas caso não ler eu posso dizer que soube aproveitar o momento único de ter passado por essas páginas, eu soube aceitar essa eterna contenda entre o tempo e o vento, que nunca param. Érico Veríssimo foi genial ao se jogar de corpo e alma na construção dessa obra tão vasta. Por fim, recomendo essa saga a todos que gostam de literatura brasileira, de histórias longas, de discussões, de romances históricos e, claro, recomendo a todos os nossos conterrâneos do belo Rio Grande do Sul.

    91 curtidas

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