Haveria tanta coisa a ser dita sobre essa obra. Eu nem sei ao certo como escrever uma resenha ao nível da grande saga que eu acabo de ler; talvez o que eu escrevo agora não é sequer uma resenha, mas um relato da experiência.
Chego ao fim de uma longa história com personagens que certamente deixaram suas marcas em minhas aventuras literárias, e deixaram também saudades; vou sentir falta de acompanhar as histórias da família Terra Cambará, que por séculos acompanhei a ponto de me sentir agora alguém de casa, ou melhor, alguém do Sobrado. Vou sentir falta dos finais de tarde de discussões no círculo social de Rodrigo, da Dinda, das paisagens serenas do Angico, das aventuras de Bio, das filosofias de Floriano, do diário de Sílvia, das superstições populares antigas e das memórias que guardei dos antepassados da família desde a época que Ana Terra era ainda uma moça. Por fim, sentirei saudade de Santa Fé como quem deixa uma cidade e leva na mala a saudade dos tempos em que lá viveu. Mas aqui é diferente, pois deixo agora uma cidade que acompanhei desde o dia da fundação, passando por todas as brigas de famílias, as gerações de pessoas e o lento desenvolvimento da cidade e seus habitantes.
Não sei se voltarei a ler essa obra no futuro, pois tenho outras tantas, mas caso não ler eu posso dizer que soube aproveitar o momento único de ter passado por essas páginas, eu soube aceitar essa eterna contenda entre o tempo e o vento, que nunca param.
Érico Veríssimo foi genial ao se jogar de corpo e alma na construção dessa obra tão vasta.
Por fim, recomendo essa saga a todos que gostam de literatura brasileira, de histórias longas, de discussões, de romances históricos e, claro, recomendo a todos os nossos conterrâneos do belo Rio Grande do Sul.