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    O romancista ingênuo e o sentimental -

    Orhan Pamuk, Orhan Pamuk

    Companhia das Letras
    2011
    152 páginas
    5h 4m
    ISBN-13: 9788535919844
    Português Brasileiro
    4.1
    113 avaliações
    Leram161Lendo11Querem250Relendo1Abandonos2Resenhas14
    Favoritos15Desejados250Avaliaram113

    Em ciclo de seis conferências ministradas na Universidade Harvard, Orhan Pamuk fala sobre seu gênero literário de predileção, o romance, e sobre a experiência de ser escritor autodidata em um país periférico. Em 1927, o romancista E. M. Forster proferiu em Cambridge as conferências hoje conhecidas como Aspectos do romance, uma resistente obra de referência dos estudos literários. Fazendo a devida justiça a esse pequeno livro, o turco Orhan Pamuk deu, em 2009, seu testemunho pessoal sobre a arte do romance na prestigiosa posição de palestrante das conferências Charles Eliot Norton, em Harvard. Com o mote do famoso ensaio de Friedrich Schiller, Sobre a poesia ingênua e sentimental (1795-6), este livro reúne as seis aulas de Pamuk, e pode muito bem ser lido como uma atualização das lições de Forster. Entre tantos antecessores ilustres, cabe lembrar que, em 1985, a morte impediu Italo Calvino de falar em Harvard Das seis propostas para o próximo milênio, a última ficou em esboço. A exemplo de Calvino, Pamuk desenha um percurso pela cultura do Ocidente, com a diferença de que explicita que o seu lugar é o de um intelectual em país pobre não ocidental. Se, para a audiência de Forster, o romance era ocidental e sobretudo europeu, o gênero chegou plenamente globalizado ao século XXI, e um dos principais tópicos de Pamuk é a apropriação do cânone pelos países periféricos e os papéis que a escrita e a leitura de ficção vêm desempenhando fora dos grandes centros culturais.

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    Carla Silva picture
    Carla Silva17/10/2020Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Esnobismo Humilde, ou sou eu?

    Ensaios sobre a natureza do romance, os tipos de romancistas, o que seria, segundo Pamuk, o aspecto principal de um romance - para o leitor e para o escritor - que ele chama de "centro", que alguns, como Borges, chamavam de "assunto". Discorre sobre a experiência de ler e de escrever e de como, para ele, estão integradas (tanto que Orhan Pamuk vê o objetivo ou prazer maior de ler coincidindo com o de escrever, isto é, estabelecer (o autor) ou descobrir ao ler( o leitor) o dito "centro" do romance. Observações sobre a evolução ou mudança na construção do gênero "romance", e o que ele entende como "romances literários" e "romances de gênero" (policiais, ficção científica, aventura, de amor, etc.). Excetuando o evidente desprezo que o autor tem pelos "romances de gênero", salvando uns poucos escritores que os representam - para Pamuk, o romance realista é o verdadeiro "romance", mesmo se através do último século e meio sofreu mudanças e experimentações - é um volume de ensaios atraente que leve à reflexão dos caminhos do "romance". No geral, parece uma mescla curiosa de esnobismo do escritor "sério" e da humildade de alguém que vive aprendendo e que o fez num pano de fundo distinto dos escritores - e leitores - do Ocidente, o que Pamuk mesmo faz questão de registrar.

    30 curtidas

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    • 2 estrelas4%
    • 1 estrelas0%
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    Orhan Pamuk

    Orhan Pamuk é hoje o mais divulgado romancista turco, tem sua obra traduzida para 40 idiomas. Em 2006 recebeu o Prêmio Nobel de Literatura. Seu primeiro romance levou sete anos para ser concluído, mas, através do terceiro livro, "O castelo branco", com ele, recebeu o reconhecimento internacional, vendendo milhões de exemplares em mais de 50 diferentes idiomas. Em sua bibliografia destacam-se Neve, Istambul e Meu nome é vermelho.Cursou três anos de arquitetura, queria ser pintor, mas abandonou o curso e a carreira, graduando-se em Jornalismo na Universidade de Istambul. Seu primeiro romance levou sete anos para ser concluído, mas, através do terceiro livro, O castelo branco, recebeu o reconhecimento internacional, vendendo milhões de exemplares em mais de 50 diferentes idiomas. Em sua bibliografia destacam-se "Neve", "Istambul" e "Meu nome é vermelho".

    18 Livros
    33 Seguidores

    Orhan Pamuk