Dona Bárbara -

    Rómulo Gallegos

    Record
    1974
    273 páginas
    9h 6m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro

    Dividido em três partes, as duas primeiras contendo treze capítulos e a última quinze, o romance mescla elementos líricos, costumbristas, psicológicos e sociológicos. Constitui uma das obras mais importantes da literatura latino-americana. A presença de símbolos em sua narrativa telúrica, numa recriação em profundidade: o personagem Santos Luzardo, volta ao lhano para vencer superstições e crendices e o espírito do mal, representado pela “devoradora de homens”, Dona Bárbara. O romance Dona Bárbara apresenta como cenário as savanas de Apure, localizadas na região de Arauca, Venezuela, cuja produção econômica se baseia na pecuária. Essa narrativa retrata a natureza fundamentada nos ideais positivistas e de pressupostos deterministas. Desse modo, o progresso e civilização são contemplados como instrumentos de redenção para o ambiente e para os homens. Em Dona Bárbara, tanto a natureza quanto os homens são representados como bárbaros, sendo que a natureza abrange uma dinâmica significativa dentro do fio condutor da obra, pois o espaço narrativo é um ambiente que determina e, ao mesmo tempo, conduz as ações das personagens. Dona Bárbara, uma descendente de índios, é personagem – título do livro. Ela é descrita como uma mulher cruel, não quis filhos para não dar prova do domínio do homem sobre a mulher. Seu principal opositor é Santos Luzardo, retratado no romance como um civilizador. A escritora Bella Jozef observa que Santos Luzardo “personifica a cultura e pretende exercer sua ação educadora nos llanos e terras distantes da civilização, rodeado de forças negativas: superstição, lucro, ignorância, que deve vencer sob pena de ser vencido”. No livro O Jogo Mágico, dando prosseguimentos as suas pesquisas sobre as letras hispano-americanas, Bella Jozef, analisa o romance brasileiro e o ibero-americano na atualidade e compara Gallegos (Dona Bárbara) com Guimarães Rosa (Grande Sertão:Veredas), ao afirmar que em ambos “o homem é ser em luta, o tema e os personagens se alegorizam na aventura do homem que tende a dominar as forças primitivas da natureza para alcançar sua harmonia interior. Apresentam assim, uma visão poética do mundo e do homem americano”.

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    Max Ronald20/07/2024Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Llanura...

    Na condição de maior clássico da literatura venezuelana, iniciei sua leitura. Meu conhecimento superficial acerca do país, foi surpreendido pela beleza da narrativa sobre a Llanura, algo como o grande sertão de Guimarães Rosa. Lá encontrei as paisagens monumentais a vastidão da terra selvagem, refreada pela ferocidade dos brutos de alma e liberta pela brandura dos justos. Há, em especial, uma  passagem encantadora sobre um encontro de diferentes, uma menina pobre e "xucra" e um homem rico e poderoso, resultando numa igualdade de sentimento, o amor, inesquecível!  Foi uma leitura bastante prazerosa, reveladora de paisagens desconhecidas, mas que encerravam nelas todos aqueles dilemas e sentimentos tão universais de um bom livro... Gostei muito! Recomendo!

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