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    Linguagem e Vida -

    Antonin Artaud

    Perspectivas
    2004
    292 páginas
    9h 44m
    ISBN-13: 9788527303286
    Português Brasileiro
    4.3
    14 avaliações
    Leram35Lendo6Querem51Relendo0Abandonos1Resenhas1
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    Cem anos após seu nascimento, Artaud continua a perturbar profundamente a cultura ocidental. Devotando-se à arte como a um ritual sagrado, uma 'terapêutica da alma', sua obra, como um caleidoscópio, abrange teatro e poesia, cinema e pintura. Esta antologia ladeia relatos pessoais e poesias inéditas em português; cartas, manifestos e roteiros de cinema e teatro, revelando um artista coerente no múltiplo, semente das principais tendências da arte contemporânea - happening, criação coletiva, teatro ritual.

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    leonardo gomes picture
    leonardo gomes10/09/2020Resenhou um livro
    3 (Bom)

    a descrição de caleidoscópio parece primorosa mas não precisamos ir longe para vê-la como ultrapassada. artaud é uma substância subvertida, é um jeito de pensar, de se jogar em cena ou na escrita. passemos pela parte ?teatro?, em que o autor faz uma crítica ferrenha ao logocentrismo ocidental; é preciso ?reatatralizar?. no cinema; ?exijo, portanto, filmes fantasmagóricos, filmes poéticos, no sentido denso, filosófico da palavra; filmes psíquicos? (pag 169) e é pela psique que antonin passeia e titubeia a desorganização de valores no alarde de acontecimentos. no entanto, uma abordagem mais técnica é deixada de lado para uma escrita fluida nos últimos esquemas em que o livro é dividido: pintura, poesia e vida. nessas três é possível observar um conglomerado de emoções humanas, captadas e resguardadas em um depósito-guia que mais parece um manual imerso na crise e no dissabor, mas o caráter posológico ainda seria confinamento para artaud... termino com o ode que o autor presta a van gogh: ?ele captou o momento que a pupila vai deitar no vazio? (pag 288). e é nessa transversalidade e dessemelhança apesar das dores e torturas, que o também dramaturgo finca no tablado mundial o seu legado de fatalidade de rompimento, primeiro interiorizada e depois encenada ao léu, na vida, no teatro, nas universidades e nas crises de outrem.

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    Antoine Marie Joseph Artaud profile picture

    Antoine Marie Joseph Artaud

    "Para Artaud, o teatro é o lugar privilegiado de uma germinação de formas que refazem o ato criador, formas capazes de dirigir ou derivar forças. Em 1935 Artaud conclui o "Teatro e seu Duplo" (Le Théâtre et son Double), um dos livros mais influentes do teatro deste século. Na sua obra ele expõe o grito, a respiração e o corpo do homem como lugar primordial do ato teatral, denuncia o teatro digestivo e rejeita a supremacia da palavra. Esse era o Teatro da Crueldade de Artaud, onde não haveria nenhuma distância entre ator e platéia, todos seriam atores e todos fariam parte do processo, ao mesmo tempo. Em Rodez, além de suas cartas (lettres au docteur Ferdière) ele elabora uma prática vocal, apurada dia a dia, associada à manifestações mágicas. A voz bate, cava, espeta, treme, a palavra toma uma dimensão material, ela é gesto e ato. Artaud volta a Paris em 1946, onde dois anos depois é encontrado morto em seu quarto no hospício do bairro de Ivry-sur-Seine. Neste período, além de uma importante produção literária ele desenha, prepara conferências e realiza a emissão radiofônica "Para acabar com o juízo de Deus" (Pour en finir avec le jugement de dieu), onde sua vontade expressiva se alia a um formalismo cuidadoso. Se nos anos 30 o teatro para Artaud é “o lugar onde se refaz a vida”, depois de Rodez ele é essencialmente o lugar onde se refaz o corpo. O “corpo sem órgãos” é o nome deste corpo refeito e reorganizado que uma vez libertado de seus automatismos se abre para “dançar ao inverso”. “A questão que se coloca é de permitir que o teatro reencontre sua verdadeira linguagem, linguagem espacial, linguagem de gestos, de atitudes, de expressões e de mímica, linguagem de gritos e onomatopéias, linguagem sonora, onde todos os elementos objetivos se transformam em sinais, sejam visuais, sejam sonoros, mas que terão tanta importância intelectual e de significados sensíveis quanto a linguagem de palavras.” O seu trabalho ainda inclui, ensaios e roteiros de cinema, pintura e literatura, diversas peças de teatro, inclusive uma ópera, notas e manifestos polêmicos sobre teatro, ensaios sobre o ritual do cacto mexicano peyote entre os índios Tarahumara (Les Tarahumaras), aparições como ator em dois grandes filmes e outros menores. Artaud escreveu: "Não se trata de assassinar o público com preocupações cósmicas transcendentes. O fato de existirem chaves profundas do pensamento e da ação segundo as quais todo espetáculo é lido é coisa que não diz respeito ao espectador em geral, que não se interessa por isso. Mas de todo o modo é preciso que essas chaves estejam aí, e isso nos diz respeito" - em Teatro e seu duplo. Se considerava um poeta, mas não no sentido usual, pois ele acreditava que alguém se definia como poeta ou não na própria vida, não precisando escrever um poema sequer. Apesar de haver escrito poemas no início da carreira, conforme o autor poemas simbolistas, queimou-os todos, e não temos idéia de como seriam estes poemas. No entanto, textos posteriores como "Para acabar com o julgamento de Deus" (1948), metafóricos e repletos de experimentação linguística, podem muito bem se enquadrar na categoria de 'poesia' em prosa." in: http://pt.wikipedia.org/wiki/Antonin_Artaud

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