Quando peguei este livro para ler, fiquei assustado com a nota. 2,9 é muito pouco para uma autora conceituada (mesmo que pouco conhecida pelas terras brasileiras). Depois de ler o livro, devo dizer: é uma nota muito dura! Como são muito poucas avaliações e não há resenhas até agora, não deve ser uma amostra muito confiável em termos estatísticos. Bom, falando do livro em termos gerais, eu gostei muito da história, os personagens foram muito bem desenvolvidos - a parte psicológica mesmo foi algo sensacional -, e, apesar de alguns momentos meio parados ou enrolados, a história é bem envolvente e o crime desperta a atenção. Quando eu digo "momentos meio parados e enrolados", estou considerando o leitor contemporâneo, que já está mal-acostumados a narrativas super ágeis e velozes. Como o livro é de 1992, numa época em que essa agilidade toda não era a prática costumeira, eu acredito que os poucos leitores podem ter achado o livro "chato", "parado" ou "desinteressante". Pois eu respondo: "NÃO É!". Quem leu Carne Trêmula com atenção, deve ter reparado que Ruth Rendell é uma escritora bastante detalhista e que exige uma concentração maior do leitor. "Herança de Sangue" não é diferente. Inclusive, eu tive que reler o final três vezes, pois da primeira vez fiquei bastante confuso. Somente depois de ler o final em inglês, consegui entender plenamente qual a mensagem que Ruth Rendell quis passar. Infelizmente, este pode ter sido outro motivo para os poucos leitores não terem gostado: a tradução porca da Rocco, cheia de erros bobos e imprecisões. Mas ainda assim, é um livro que eu acho que vale a pena ser lido, apesar das dificuldades que a tradução ruim impõe. É um livro com muitas camadas, que exige concentração e que não vai te dar aquele final mastigadinho que vc vê nos filmes de hoje.