Quando morrem, os cavalos – respiram
Quando morrem, as ervas – secam
Quando morrem, os sóis – se apagam
Quando morrem, os homens – cantam
(O cavalo de prjeválski de Velimir Khlébnikov)
Sempre que ouvira a expressão poesia russa, sentia certo misticismo passar pela minha alma e imaginava uma casta de poetas inatingíveis que eternizaram um mundo que hoje a nós só pode ser acessível pela memória, pelas artes e pelo labor dos mais brilhantes escritores do século XIX.
Uma das possibilidades de se atingir esse mundo de poesias que falavam pela palavra e pela forma é a brilhante antologia de poesia russa moderna produzida pelo saudoso professor e tradutor Boris Solomonovitch Schnaiderman em companhia dos poetas e tradutores Haroldo e Augusto Campos.
Esta antologia é resultado de um processo sério e eficaz de pesquisa acadêmica. Ela é o resultado mais consistente de se aproximar leitores ocidentais da gutural e visceral poesia russa que viveu a revolução, a morte de Lenin, a ascensão de Stálin, a repressão contra vários literários, a queda de Stálin e uma nova União Soviética até o seu fim.
São visíveis nos textos os objetivos libertários e autênticos de cada um dos poetas. Há o sentimento de se fazer pela poesia e se fazer pela Rússia, sendo servidores da revolução. Não se ausentou na antologia nenhum grande poeta, mesmo os mais desconhecidos para o resto do mundo. A antologia também foi sincera e eficiente em homenagear grandes poetas como Vladimir Maiakovski.
É dever de todos os poetas minimamente estudiosos lerem esta antologia. Ela é a abertura a um mundo poético e artístico admirável. Deste, após se adentrar, não há partida. O único caminho é o desenvolver literário.
Josué da Silva Brito