Teatro -

    Bernardo Carvalho

    Cotovia
    1999
    176 páginas
    5h 52m
    ISBN-13: 9789728423681
    Português Brasileiro

    "Teatro é um pequeno tratado sobre a paranóia. Um terrorista envia a empresários e homens de sucesso um pó químico mortal pelo correio. Um artista de filmes pornográficos é procurado pela polícia por estar envolvido no assassinato de um político. A primeira história é narrada por um policial exilado. A segunda, por um fotógrafo. Ambas se completam. É impossível entender uma sem conhecer a outra. No final, entretanto, são várias as conclusões possíveis sobre as verdadeiras identidades e responsabilidades do policial, do fotógrafo, do ator dos filmes pornográficos, do terrorista." A Notícia – Joinville

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    Aguinaldo Medici Severino20/11/2011Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    teatro

    Provocado por don Hugo Crema eis que decidi aumentar minha cota de livros de autores brasileiros. Não me arrependi com "Teatro", romance antigo, de 1998, reimpresso recentemente. As pistas falsas bem contadas de "Teatro" são uma festa para o leitor. Bernardo Carvalho apresenta uma história intrincada, um romance psicológico realmente interessante, que funciona tanto como estudo de caso da forma como opera a mente de um sujeito paranóico, quanto pela inventividade e concisão. O livro é realmente pequeno, mas tão bem escrito que não reclamamos da economia de Carvalho. Descrever a narrativa com alguma precisão desarma os truques utilizados pelo autor, mas vamos a ver o que eu consigo: São dois capítulos. No primeiro Carvalho decalca para suas finalidades um personagem que é aparentado a Theodore Kaczynski (o Unabomber, o professor universitário amalucado que tornou-se terrorista urbano e assombrou os Estados Unidos por muitos anos, até ser preso, em 1997). O narrador da história descreve sua participação na investigação das atividades desse personagem, mas ao saber fortuitamente da prisão do sujeito percebe que deve fugir, procurar exílio, temer por sua vida e sanidade. Como aquele curandeiro de Viena já nos ensinou nada é trivial em um delírio crônico. A imaginação, articulação e lógica interna dos paranóicos sempre são surpreendentes. No segundo capítulo encontramos um ator pornográfico famoso enredado em um assassinato político. Um fotógrafo tenta entender as motivações do assassinato e o leitor começa a entender as mensagens cifradas com as quais o autor povoou sua história. Os dois capítulos se complementam, o que poderia ser aceito como verdade passa rapidamente a irrelevância, o que é dito na segunda parte pode ser apenas o discurso de um louco. As falsidades bem ensaiadas, os estudados simulacros, as melhores atuações de atores sobre o palco (como diz um bolero antigo) deleitam do começo ao fim. Fazia tempo que não lia algo tão instigante e provocador. Grande livro. [início 18/11/2011 - fim 22/11/2011] "Teatro", Bernardo Carvalho, São Paulo: editora Companhia das letras, 1a. edição (1998), brochura 14x21 cm, 132 págs. ISBN: 85-7164-749-6

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