Um certo Henrique Bertaso - Pequeno retrato em que o pintor também aparece

    Erico Veríssimo

    Companhia das Letras
    2011
    120 páginas
    4h 0m
    ISBN-13: 9788535918403
    Português Brasileiro

    Relato sobre a Editora Globo, criada na década de 1920, em Porto Alegre, o livro fala de um espécime raro e fascinante, o editor à antiga - aquele que inventa uma editora e constrói seu catálogo. Prefácio de Luís Fernando Verissimo. Logo no início de Um certo Henrique Bertaso, Erico Verissimo diz que vai "Contar o que faziam entre fins de 1922 e 1930 - um em Porto Alegre e o outro em Cruz Alta - dois homens que um dia viriam a encontrar-se para juntos se lançarem numa aventura editorial [...]". Quando a história começa, em 1922, os dois "homens" são adolescentes: Henrique Bertaso, dezesseis anos, "com tempo demais a pesar-lhe nas mãos e no crânio", é posto pelo pai, um dos principais sócios da Livraria do Globo, a trabalhar durante as férias como caixeiro da livraria. Em Cruz Alta, Erico Verissimo, dezessete anos, começa a trabalhar para se sustentar. O amor pelos livros e pela literatura reunirá os dois dali a algum tempo na construção de uma das mais belas e importantes editoras que o país já teve - matriz de um modelo de casa que teria papel decisivo no amadurecimento cultural do país. O grupo de intelectuais congregados em torno da Editora Globo e da Revista do Globo, com Erico Verissimo (conselheiro editorial) e Henrique Bertaso (editor) conduzindo a "publicadora", foi responsável pela construção de um importante catálogo de obras contemporâneas brasileiras e estrangeiras e pelo estabelecimento de um novo patamar de qualidade nas traduções.

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    Alexandre Figueiredo06/01/2021Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    As linhas íntimas de uma amizade

    Existiu um tempo no qual Porto Alegre era, fora do eixo Rio-São Paulo, um polo intelectual que felizmente esteve longe demais das capitais. Isso deu aos gaúchos, especificamente aos porto-alegrenses, uma certa independência de pensamento, algo que aconteceu (e ainda acontece por lá) também em muitos estados da região Nordeste do Brasil. Mas um escritor sempre esteve em destaque merecidamente: Erico Verissimo. Em “Um certo Henrique Bertaso” os leitores são convidados para acompanhar as linhas íntimas de uma amizade. Erico, com a habilidade nata que tinha em contar histórias, relembra momentos ao lado do amigo de longa data que dá vida ao título de maneira contagiante, sempre despertando curiosidade e interesse. São pequenos causos da vida, como ele provavelmente diria. Mas a questão é que são causos da vida de Erico. Portanto, há de se imaginar que não é pouca coisa. Em poucas páginas aprendemos sobre o funcionamento do mercado editorial brasileiro durante a primeira metade do século XX, sobre a arte de descobrir literatura - a boa e a ruim - e sobre a vontade comum de quem se permite sonhar. Desfilam, entre uma e outra história, nomes como Virginia Woolf, Aldous Huxley (um dos heróis literários de Erico), Thomas Mann e muitos outros que não cabem em apenas um parágrafo. Livro pequeno em extensão que oferece grande prazer, “Um certo Henrique Bertaso” é uma ótima maneira de conhecer a versão mais humana de Erico.

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