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    Breve História da Literatura Brasileira -

    Erico Verissimo

    Editora Globo
    1995
    189 páginas
    6h 18m
    ISBN-10: 8525015350
    Português Brasileiro
    4.2
    35 avaliações
    Leram86Lendo5Querem57Relendo1Abandonos0Resenhas5
    Favoritos4Desejados57Avaliaram35

    Inicialmente publicado nos Estados Unidos em 1945, este livro reúne a série de conferências pronunciadas por Verissimo quando de sua estada na Universidade da Califórnia, onde, entre 1943 e 1944, a convite do Departamento de Estado norte-americano, ministrou curso sobre a literatura brasileira.

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    Filipe Quevedo07/07/2022Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Erico: crítico, só que não

    Resultado de uma série de conferências ministradas pelo autor em janeiro e fevereiro de 1944, na Universidade da Califórnia, em Berkeley, Breve história da literatura brasileira pode desapontar alguns desavisados; e com razão. Não se encontram aqui grandes análises do autor sobre obras consagradas da nossa literatura. O título do livro (bem como o corpo do texto) na verdade é uma tradução, já que Erico escreveu este volume em inglês (o único que produziu em língua estrangeira). Erico não faz o trabalho de um crítico, isto é, não faz análises de livros, não escreve prolongadamente sobre nenhuma obra literária. O fato é que o autor conta mais a história do Brasil do que sua literatura. Com essa abordagem, a intenção de Erico parece ser relacionar cada contexto histórico com o fazer literário no respectivo período. Ou seja, mostrar como a produção de literatura é perpassada e influenciada pelo momento histórico no qual se situa. É a partir de determinadas realidades socioculturais de cada período que Erico encontra razões para certas tendências de produção e movimentos literários nacionais. Assim, Erico sobrevoa nomes de autores e títulos de livros, sem aprofundamentos. Só quando chega em Machado de Assis ele se prolonga um tantinho mais. Chama o Bruxo do Cosme velho de <i>"dissecador de almas"</i>; diz também que Mário Quintana é <i>"metade homem e metade elfo"</i>. Elogia bastante Os sertões e a relevância deste trabalho de Euclides da Cunha. Aborda, claro, a Semana de Arte Moderna de 22. Durante o livro Erico expõe opiniões pessoais. Nelas é possível perceber uma preocupação que subjaz toda obra, e até pode justificar tanta ênfase na história do Brasil presente nela: sua preocupação de que a literatura não esteja afastada da realidade; sua ideia de que a literatura pode ser um veículo para a discussão de problemas sociais; sua defesa quanto a uma produção literária participativa, de autores(as) que não sejam somente espectadores de seu tempo, mas agentes dele. É de se lamentar que, uma vez que este livro foi escrito em 1943, não podemos ver Erico falar sobre nomes da nossa literatura que são posteriores. E por vezes, cita apenas superficialmente alguns escritores e escritoras que, recém saindo das fraldas quanto suas produções literárias, ainda naquele momento não se consolidaram como nomes importantes. ERICO POR ELE MESMO <i>"Devo confessar — para pôr fim a essa dissertação informal sobre poesia — que meus poetas favoritos são Cecília Meireles e Mário Quintana."</i> Sobre Jorge Amado, diz que ele é <i>"[...] um dos romancistas brasileiros mais talentosos. Esse moço é um contador de histórias nato. [...] Sua prosa é fluente, pitoresca e expressiva. No fundo um poeta, às vezes suas páginas são pura poesia. Suas histórias se tingem de uma espécie varonil de lirismo."</i> Em certa passagem, mais para o final do texto, Erico menciona que <i>"Amigos agora me mandam recados do Brasil de que uma nova e destacada romancista, Clarice Lispector, recentemente fez uma estreia impressionante, com Perto do coração selvagem."</i> Logo mais adiante fala que <i>"[...] na área do conto, a vivaz Lygia Fagundes Telles é a recém-chegada mais digna de nota, com seu interessante livro, Praia Viva."</i> <b>Curiosidade (ou Uma lenda):</b> <i>"Diz-se que certo dia Pedro II visitou Victor Hugo, em Paris, e quando ambos os grandes homens conversavam fervorosos sobre poesia, o netinho do poeta francês entrou na sala ruidosamente. 'Cumprimente Sua Majestade, meu menino', disse Victor Hugo ao neto. Mas o Imperador sacudiu a bela cabeça e replicou: 'Não, minha criança, há só uma majestade nesta sala. É seu avô'."</i>

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    4.2 / 35
    • 5 estrelas49%
    • 4 estrelas14%
    • 3 estrelas37%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas0%
    Erico Lopes Verissimo profile picture

    Erico Lopes Verissimo

    Erico Lopes Verissimo (1905 - 1975), nascido em Cruz Alta (RS), foi um escritor brasileiro. Com uma prosa simples e de fácil leitura, tornou-se um dos escritores mais populares da literatura brasileira. Em 1932, publicou seu primeiro livro, ‘Fantoches’, e em 1938 obteve sucesso com o romance ‘Olhai os Lírios do Campo’, que lhe deu projeção nacional como escritor. "Posso afirmar que só depois do aparecimento de 'Olhai os Lírios do Campo' é que pude fazer profissão da literatura". Seu trabalho mais conhecido, todavia, é a trilogia ‘O Tempo e o Vento’, publicada entre 1949 e 1962. Trata-se de um romance histórico que se situa em diversos momentos da história do Rio Grande do Sul. Embora não possuísse diploma de curso superior, Verissimo lecionou literatura brasileira nos Estados Unidos e foi diretor de revistas. Em 1971, lançou ‘Incidente em Antares’, uma obra crítica ao regime militar brasileiro. Na periodização literária, Verissimo pode ser enquadrado na segunda fase do modernismo no Brasil, caracterizado pelos romances regionalistas. Verissimo retratou em suas obras aspectos sociais, políticos e históricos do Rio Grande do Sul. Seus romances são marcados pela abordagem realista dos personagens e da sociedade, explorando temáticas como as desigualdades sociais, as relações familiares, o contexto político e as transformações históricas. Um dos principais aspectos de sua escrita é a capacidade de retratar a psicologia dos personagens, explorando suas motivações, dilemas e conflitos internos. Além disso, Verissimo demonstra sensibilidade ao retratar o cotidiano, a vida simples e os dramas humanos. Verissimo também escreveu obras em outros gêneros, como ficção didática (Viagem à Aurora do Mundo), literatura infantil (Os Três Porquinhos Pobres) e uma autobiografia (Solo de Clarineta). CONTOS Fantoches – 1932 Chico – 1932 As mãos de meu filho – 1942 O ataque – 1958 Outros contos – 1972 ‘Os devaneios do general’ ‘O navio das sombras’ Galeria fosca – 1987 ROMANCES Clarissa – 1933 Caminhos cruzados – 1935 Música ao longe – 1936 Um lugar ao sol – 1936 Olhai os lírios do campo – 1938 Saga – 1940 O resto é silêncio – 1943 O tempo e o vento (1ª parte) — O continente – 1949 O tempo e o vento (2ª parte) — O retrato – 1951 O tempo e o vento (3ª parte) — O arquipélago – 1962 O Senhor Embaixador – 1965 O prisioneiro – 1967 Incidente em Antares – 1971 LITERATURA INFANTOJUVENIL A vida de Joana d'Arc – 1935 As aventuras do avião vermelho – 1936 Os três porquinhos pobres – 1936 Rosa Maria no castelo encantado – 1936 Meu ABC – 1936 As aventuras de Tibicuera – 1937 O urso com música na barriga – 1938 A vida do elefante Basílio – 1939 Outra vez os três porquinhos – 1939 Viagem à aurora do mundo – 1939 Aventuras no mundo da higiene – 1939 Gente e bichos – 1956 NARRATIVAS DE VIAGENS Gato preto em campo de neve – 1941 A volta do gato preto – 1946 México – 1957 Israel em abril – 1969 AUTOBIOGRAFIAS O escritor diante do espelho – 1966 (em ‘Ficção Completa’) Solo de clarineta – Memórias (1º volume) – 1973 Solo de clarineta – Memórias 2 – 1976 (ed. póstuma, organizada por Flávio L. Chaves) ENSAIOS Brazilian Literature – an Outline – 1945 Mundo velho sem porteira – 1973 Breve história da literatura brasileira – 1995 (tradução de Maria da Glória Bordini) BIOGRAFIA Um certo Henrique Bertaso – 1972 COMPILAÇÕES Suas obras foram compiladas em três ocasiões: Obras de Érico Veríssimo – 1956 (17 volumes) Obras completas – 1961 (10 volumes) Ficção completa – 1966 (5 volumes)

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    Rio Grande do Sul, Brasil

    Erico Lopes Verissimo