Inicialmente publicado nos Estados Unidos em 1945, este livro reúne a série de conferências pronunciadas por Verissimo quando de sua estada na Universidade da Califórnia, onde, entre 1943 e 1944, a convite do Departamento de Estado norte-americano, ministrou curso sobre a literatura brasileira. ==== http://blogdocarloscarvalho.blogspot.com.br/2016/01/brazilian-literature-outline-de-erico.html [Sobre o Autor]: Escritor brasileiro, nasceu em 1905, vindo a falecer ao cabo de sete décadas de vida. Romancista de vocação universalista mas, ao mesmo tempo, profundamente atento à identidade e aos problemas particulares do seu País, notabilizou-se com obras como Clarissa, Olhai os Lírios do Campo e a trilogia O Tempo e o Vento.
Breve História da Literatura Brasileira - Brazilian Literature: an outline
Erico Verissimo
Erico: crítico, só que não
Resultado de uma série de conferências ministradas pelo autor em janeiro e fevereiro de 1944, na Universidade da Califórnia, em Berkeley, Breve história da literatura brasileira pode desapontar alguns desavisados; e com razão. Não se encontram aqui grandes análises do autor sobre obras consagradas da nossa literatura. O título do livro (bem como o corpo do texto) na verdade é uma tradução, já que Erico escreveu este volume em inglês (o único que produziu em língua estrangeira). Erico não faz o trabalho de um crítico, isto é, não faz análises de livros, não escreve prolongadamente sobre nenhuma obra literária. O fato é que o autor conta mais a história do Brasil do que sua literatura. Com essa abordagem, a intenção de Erico parece ser relacionar cada contexto histórico com o fazer literário no respectivo período. Ou seja, mostrar como a produção de literatura é perpassada e influenciada pelo momento histórico no qual se situa. É a partir de determinadas realidades socioculturais de cada período que Erico encontra razões para certas tendências de produção e movimentos literários nacionais. Assim, Erico sobrevoa nomes de autores e títulos de livros, sem aprofundamentos. Só quando chega em Machado de Assis ele se prolonga um tantinho mais. Chama o Bruxo do Cosme velho de <i>"dissecador de almas"</i>; diz também que Mário Quintana é <i>"metade homem e metade elfo"</i>. Elogia bastante Os sertões e a relevância deste trabalho de Euclides da Cunha. Aborda, claro, a Semana de Arte Moderna de 22. Durante o livro Erico expõe opiniões pessoais. Nelas é possível perceber uma preocupação que subjaz toda obra, e até pode justificar tanta ênfase na história do Brasil presente nela: sua preocupação de que a literatura não esteja afastada da realidade; sua ideia de que a literatura pode ser um veículo para a discussão de problemas sociais; sua defesa quanto a uma produção literária participativa, de autores(as) que não sejam somente espectadores de seu tempo, mas agentes dele. É de se lamentar que, uma vez que este livro foi escrito em 1943, não podemos ver Erico falar sobre nomes da nossa literatura que são posteriores. E por vezes, cita apenas superficialmente alguns escritores e escritoras que, recém saindo das fraldas quanto suas produções literárias, ainda naquele momento não se consolidaram como nomes importantes. ERICO POR ELE MESMO <i>"Devo confessar para pôr fim a essa dissertação informal sobre poesia que meus poetas favoritos são Cecília Meireles e Mário Quintana."</i> Sobre Jorge Amado, diz que ele é <i>"[...] um dos romancistas brasileiros mais talentosos. Esse moço é um contador de histórias nato. [...] Sua prosa é fluente, pitoresca e expressiva. No fundo um poeta, às vezes suas páginas são pura poesia. Suas histórias se tingem de uma espécie varonil de lirismo."</i> Em certa passagem, mais para o final do texto, Erico menciona que <i>"Amigos agora me mandam recados do Brasil de que uma nova e destacada romancista, Clarice Lispector, recentemente fez uma estreia impressionante, com Perto do coração selvagem."</i> Logo mais adiante fala que <i>"[...] na área do conto, a vivaz Lygia Fagundes Telles é a recém-chegada mais digna de nota, com seu interessante livro, Praia Viva."</i> <b>Curiosidade (ou Uma lenda):</b> <i>"Diz-se que certo dia Pedro II visitou Victor Hugo, em Paris, e quando ambos os grandes homens conversavam fervorosos sobre poesia, o netinho do poeta francês entrou na sala ruidosamente. 'Cumprimente Sua Majestade, meu menino', disse Victor Hugo ao neto. Mas o Imperador sacudiu a bela cabeça e replicou: 'Não, minha criança, há só uma majestade nesta sala. É seu avô'."</i>
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