A trama é bem clichê. Isso por si só não é de todo mau, muitos usam tal recurso e conseguem fazer coisas maravilhosas... infelizmente não foi o caso desse livro. - Um homem nos seus trinta e poucos anos, após sofrer uma tragédia, decide ir para a guerra do Vietnam lutar pelo modo de vida americano (etc) e assim fazer com que o seu suicídio tenha algum significado.
Eu já li e assisti dezenas de livros e filmes assim, você também. Não é ruim, na verdade é até bem pipoca - ou seja, aquele tipo que te diverte durante uma tarde, mas não é nada que mereça uma mudança de planos da sua folga.
Porém Croker, que usa isso para contar como a amizade do protagonista com um cachorro o faz querer voltar a viver, não consegue encaixar suficiente empatia no texto para nos emocionar e nem ação para chegar a um clímax.
Vários livros não tem clímax, mas isso é um recurso deliberado o que não é o caso de Leaving Jack. As reviravoltas são poucas, a ação é mínima, o personagem não evolui e não tem nada para fazer contraponto - nem drama, vilania, humor - absolutamente nada.
Uma das grandes questões do livro é de onde vem o cão, Jack. No início é interessante a forma como todo o batalhão tenta desvendar o mistério, mas no final, o furo no roteiro e a necessidade de acabar uma história que já deu no que tinha que dar, faz o autor decidir que o cão na verdade é um enviado do "além".
Um tapa buraco terrível para uma história que nada tinha a ver de espiritual ou sobrenatural, não combina com nenhum dos fatos que são narrados como a retirada das tropas do Vietnam, ou ainda, com a luta do protagonista para conseguir que Jack não fosse largado para trás como aconteceu com várias companhias caninas.
Leaving Jack foi uma tentativa de mesclar dois estilos populares, guerras e animais, mas o resultado é fraco demais. Como se fosse o esboço do resumo do manuscrito e não a obra final.