O Banquete (Diálogos de Platão #1) -

    Platão

    Ed. UFPA
    2011
    208 páginas
    6h 56m
    ISBN-13: 9788524705052
    Português Brasileiro

    Em 'O Banquete', um grupo de amigos se reúne para comemorar a vitória de Agatão num concurso de tragédias, proferindo discursos em honra a Eros. Expansivamente, o tema do amor é abordado por diversas perspectivas, que iluminam aspectos complementares de uma experiência humana fundamental. Em um dos discursos, Sócrates apresenta o amor filosófico, aquele devotado à geração do saber e baseado na ascensão dialética da dimensão sensível até o âmbito inteligível do belo. A riqueza dramática do teatro filosófico sobressai com a chegada de Alcibíades, que expõe o amor apaixonado. O volume conta com introdução do coordenador da coleção, Victor Sales Pinheiro, que busca contextualizar a obra na cultura grega, analisar a forma literária e a argumentação filosófica do diálogo, lembrando o fecundo legado da obra na tradição artística e intelectual.

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    Fabio Shiva06/08/2010Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    O Banquete é um desses livros que marcam. Já li três vezes e bem poderia ler uma quarta. Talvez o mais famoso dos diálogos de Platão, o tema desse livro é o amor. Durante um banquete (ou simpósio), os participantes são convidados a participar de um concurso: venceria aquele que fizesse o mais belo discurso sobre o amor. Três dos discursos se destacam. No primeiro deles é feita uma distinção entre dois tipos de amor, um mais elevado e sublime e outro o mais grosseiro e vulgar. O curioso é esse amor grosseiro seria o que para a maioria das pessoas hoje representaria a essência do amor romântico, ou seja, o amor entre um homem e uma mulher. E o amor sublime, portanto, seria o amor entre os iguais, mais especificamente o amor entre homens. O mais interessante desse discurso, para mim, é mostrar o quanto o conceito do amor, longe de ser algo instintivo ou mesmo natural, foi e vem sendo construído pelo homem. O discurso que vence, é claro, é o de Sócrates. Para ele, o Amor é filho do Recurso e da Pobreza, e por isso a sua característica maior é justamente a eterna ambigüidade entre o ter e a falta, e é por isso que quando amamos nos sentimos ao mesmo tempo tão ricos e tão miseráveis. Mas o discurso que eu mais gosto, e que me fez ler o livro de novo e de novo, é na verdade um mito sobre a origem do homem. No princípio, a raça humana não era como nós: eram seres poderosíssimos, com duas cabeças, quatro braços e quatro pernas. E por serem tão poderosos, os homens ousaram demais e quiseram invadir o próprio Olimpo. Diante de tamanha audácia, a punição de Zeus foi exemplar: tomando o machado de Hefestos, partiu cada homem, mulher ou andrógino em dois. Desde então, o ser humano passou a ser incompleto. E o amor nada mais é que a busca sem fim pela metade perdida... (2002)

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