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    O Prazer do Texto -

    Roland Barthes

    Perspectiva
    1996
    86 páginas
    2h 52m
    ISBN-10: 8527300915
    Português Brasileiro
    3.5
    58 avaliações
    Leram94Lendo5Querem65Relendo0Abandonos5Resenhas7
    Favoritos3Desejados65Avaliaram58

    Em um escrito caleidoscópico, quase um bloco de anotações, Barthes analisa o prazer sensual do texto para quem lê ou escreve. "Quem suporta sem nenhuma vergonha a contradição? Ora, este contra-herói existe: é o leitor de texto; no momento em que se entrega a seu prazer. Então o velho mito bíblico se inverte, a confusão das línguas não é mais uma punição, o sujeito chega à fruição pela coabitação das linguagens, que trabalham lado a lado: o texto de prazer é Babel feliz".

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    Resenhas (7)Ver mais
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    gabriel17/02/2022Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Excelentes aproximações entre leitura e erotismo

    Eu, na leitura deste texto, oscilei entre um possível "duas estrelas", até ele ir me ganhando aos poucos, finalizando com cinco estrelas tranquilamente. Ele segue o detestável estilo acadêmico, com todos os seus cacoetes e exageros; porém é capaz de mudar a nossa forma de pensar. Assim, merece a indicação e a leitura. Um dos principais focos é a semelhança entre a leitura e o erotismo. Por ser um ensaio bem "maluco" (com muitas ideias jogadas, sem muita preocupação em amarrá-las), isso não é desenvolvido em todo seu potencial; porém nos deixa margem para pensar. O texto é como um decote: opera modos de ocultação e revelação, sempre oscilando entre dois polos. É nesta fenda que se encontra o prazer do texto. Outro tema bastante recorrente é a tensão entre prazer e fruição. O tradutor alerta aqui que o "jouissance", do francês, estaria mais para o gozo, mas que, para manter certa melodia da palavra, optou pela fruição. E aqui temos algumas pistas desta última, privilegiada em relação ao prazer. Aliás, é possível fruir até de um texto aborrecido; ele está distante de ideologias; e é sempre captado numa tacada só, de maneira antecipatória. Nem sempre é possível compreender o complicado raciocínio do autor, mas pelo fato de ser um texto bastante rápido, conseguimos vencê-lo em uma ou duas leituras e entrar um pouco no seu "clima" (o que, na verdade, é mais importante que um entendimento literal, fechado do texto). O ensaio cumpre o seu papel e nos enche de questões e novas formas de ver. Às vezes peca um pouco pela erudição exagerada, uma erudição meio vazia e que serve para atrapalhar o texto. Isso, no entanto, pode ser visto como um dos seus charmes. É um pensador ousado, ao mesmo tempo incoerente: mas que, ao mesmo tempo, não tem nenhuma preocupação em ocultar isso. Suas pegadas de pensamento são deixadas claras, para o leitor ver (e acompanhar, se quiser). Pensadores como Marx e Freud passam pelo seu pensamento e apanham do autor; e ainda assim, são depois recuperados, fundamentando novas ideias (como, por exemplo, uma crítica a ideologia pequeno-burguesa). É um texto ágil, complicado, nos escapa da mão, ri da nossa cara e nos propõe ideias extravagantes sobre o simples ato de ler, colocando este ato para fora de um racionalismo fechado e mastigadinho, que o quer encaixar em teorias ou teses pré-estabelecidas. Recomendadíssimo, ainda que não seja uma leitura simples.

    5 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.5 / 58
    • 5 estrelas17%
    • 4 estrelas33%
    • 3 estrelas28%
    • 2 estrelas14%
    • 1 estrelas9%
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    Roland Barthes

    Roland Barthes foi múltiplo. Intelectual, escritor, professor, pintor amador, não apenas transitou entre diferentes correntes do pensamento como também as forjou. Foi da crítica ideológica de inspiração marxista à semiologia dura, da teoria do texto a partir das sensações ao estudo da fotografia. Seus objetos de interesse eram inusitados: dos romances de Balzac aos tecidos de organza, do sabão em pó ao haicai. Não é à toa que sua obra influenciou — e continua a fazê-lo — a filosofia, a antropologia, os estudos literários, a linguística, a teoria da comunicação e as artes visuais e performáticas. Formado em Letras Clássicas em 1939 e Gramática e Filosofia em 1943 na Universidade de Paris, fez parte da escola estruturalista, influenciado pelo lingüista Ferdinand de Saussure. Crítico dos conceitos teóricos complexos que circularam dentro dos centros educativos franceses nos anos 50. Entre 1952 e 1959 trabalhou no Centre national de la recherche scientifique - CNRS. Barthes usou a análise semiótica em revistas e propagandas, destacando seu conteúdo político. Dividia o processo de significação em dois momentos: denotativo e conotativo. Resumida e essencialmente, o primeiro tratava da percepção simples, superficial; e o segundo continha as mitologias, como chamava os sistemas de códigos que nos são transmitidos e são adotados como padrões. Segundo ele, esses conjuntos ideológicos eram às vezes absorvidos despercebidamente, o que possibilitava e tornava viável o uso de veículos de comunicação para a persuasão. Foi diretor de estudos da "Escola de Altos Estudos e Ciências Sociais" e professor do Collège de France é um dos principais animadores do pós-estruturalismo e da semiologia linguística e fotográfica na França.

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    Normandia, França

    Roland Barthes