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    O papagaio de Flaubert -

    Julian Barnes

    Rocco
    2012
    224 páginas
    7h 28m
    ISBN-10: 8532502059
    Português Brasileiro
    3.9
    58 avaliações
    Leram79Lendo14Querem191Relendo1Abandonos2Resenhas8
    Favoritos4Desejados191Avaliaram58

    Geoffrey Braithwaite, médico inglês aposentado, admirador de Gustave Flaubert, descobre num museu da Normandia um papagaio empalhado, que o escritor francês teria tomado emprestado para escrever a novela Um coração singelo. Em outro museu, outro papagaio empalhado também passa por ter sido o que serviu ao escritor do século XIX. Qual deles seria o autêntico? O que é realidade e o que é fantasia no trabalho de um autor? Partindo de um dado aparentemente prosaico, o escritor britânico Julian Barnes desenvolve uma prosa deliciosa em que todos os gêneros são transgredidos – romance, biografia, crítica literária – e em que o resultado surpreende a cada passo. Raras vezes inteligência e versatilidade andaram tão juntas. Ou foram reconhecidas com tanta unanimidade. Por este livro Barnes recebeu o prêmio Médicis, na França, e o Geoffrey Faber Memorial, na Inglaterra.

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    jota 1115/06/2011Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Reler Madame Bovary

    Uma vez Gustave Flaubert disse que Madame Bovary era ele próprio. Nem poderia ser muito diferente mesmo. E no livro de Julian Barnes, o viúvo Geoffrey Braithwaite, médico inglês aposentado, admirador de Gustave Flaubert, muitas vezes é colocado na pele do próprio autor francês (e não apenas dele). Explica-se: um dia, em visita à França, Geoffrey descobre num museu da Normandia um papagaio amazonense empalhado, que o escritor francês teria tomado emprestado para escrever a novela Um Coração Singelo (efetivamente escrita por Flaubert). Num outro museu, outro papagaio empalhado também passa por ter sido o que serviu ao escritor do século XIX. Qual deles seria o autêntico? Em busca da verdade acerca dessas aves, Geoffrey faz uma viagem tumultuada ao tempo perdido. Â medida que avança em sua investigação, torna-se um verdadeiro prisioneiro no emaranhado dos cenários, personagens e fatos mais relevantes da biografia de Flaubert. História e imaginação se confundem a tal ponto na mente de Geoffrey que, pouco a pouco, a vida de Flaubert e a dele vão formando um todo indivisível. E impõe-se então a seguinte questão: o que é realidade e o que é fantasia no trabalho de um autor? O que temos é que personagens e pessoais reais se misturam, cronologias entram em ação, livros conhecidos são revisitados, críticos de Flaubert são demolidos (algumas lendas a respeito dele também) e a história cresce, caminhando para seu final. Mas a grande dúvida taxidérmica do início somente será esclarecida no último parágrafo. O Papagaio de Flaubert foi o terceiro livro publicado por Barnes (primeiro dele no Brasil) e ganhou prêmios na Inglaterra, França e Estados Unidos justamente por sua originalidade: uma mistura saborosa de biografia (de Gustave Flaubert, logicamente), romance e crítica literária. Ao fim, fiquei até com vontade de ler Madame Bovary novamente. Meses depois, de volta a esta resenha: não reli Madame Bovary, mas Um Coração Singelo (ou Uma Alma Simples, como também pode ser encontrado), que é uma pequena obra-prima de Flaubert. Lê-se a novela em cerca de 2 a 3 horas e fica-se querendo mais. Vale a pena conhecer Felicidade (a personagem principal, uma empregada doméstica) e Lulu (o papagaio amazonense). É Flaubert em grande forma, sem dúvida.

    8 curtidas

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    3.9 / 58
    • 5 estrelas34%
    • 4 estrelas34%
    • 3 estrelas19%
    • 2 estrelas10%
    • 1 estrelas2%
    Julian Patrick Barnes profile picture

    Julian Patrick Barnes

    Julian Barnes nasceu em Leicester, estudou em Londres e em Oxford e, antes de se dedicar exclusivamente à escrita, foi lexicógrafo (no Dicionário Oxford), editor e crítico de cinema. Entre os seus romances contam-se <i>Metroland</i>, a estreia, em 1980, <i>Uma História do Mundo em Dez Capítulos e Meio</i>, <i>Amor Etc</i> e <i>Artur & Jorge</i>. Considerado um dos mais relevantes escritores britânicos do nosso tempo, Julian Barnes é também autor de vários romances policiais, assinados por Dan Kavanagh. A sua obra está traduzida em trinta idiomas e recebeu, entre outros, os prémios Somerset Maugham, o Geoffrey Faber Memorial, o E.M. Forster, o Fémina, o Médicis e o Shakespeare, além de ter sido por três vezes finalista do Booker, que acabou por ganhar em 2011, com o romance <i>The Sense of an Ending</i>.

    42 Livros
    46 Seguidores

    Julian Patrick Barnes