Narrativa onde o silêncio é tão protagonista quanto as palavras.
O maior trunfo do autor reside na sua escrita econômica e precisa, não transformando a leitura em algo penoso, excessivamente massante...pelo contrário, neste caso, sua opção pela contenção permite a nós sentir a angústia do protagonista, pois o horror não é gritado, mas sussurrado nas frestas dos objetos deixados para trás e nos espaços vazios.
Como me atraem narrativas que desnudam lugares e vivências, a obra acaba por conseguinte, dialogando mais intimamente ao meu paladar, justamente em razão de o autor ter reelaborado sua realidade em arte. O único contraponto (o que não macula a beleza da obra): quissá houvesse maior robustez caso o autor tivesse incorporado, com maior densidade, os matizes do cenário político que serviu de gênese à sua narrativa.
Inspiradora e sensível!
Sob o peso do que não se pode mais tocar,
as mãos desenham o contorno do vazio.
A memória é um mapa que insiste em sangrar,
em busca de um porto no meio do rio.
Onde o corpo falta, a alma se faz presente,
tecendo saudades com fios de ausência.
Quem sentiu a dor que o silêncio consente,
descobre que o sumiço é uma forma de essência.
Não se desfaz o nó que a história amarrou,
mas aprende-se a ler o que a sombra ensinou:
que o amor, mesmo órfão do rastro e do chão,
torna-se a anatomia de toda a pulsação.