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    Represálias Selvagens - Realidade e ficção na literatura de Charles Dickens, Gustave Flaubert e Thomas Mann

    Peter Gay

    Companhia das Letras
    2010
    192 páginas
    6h 24m
    ISBN-13: 9788535916416
    Português Brasileiro
    3.6
    16 avaliações
    Leram35Lendo5Querem65Relendo0Abandonos0Resenhas1
    Favoritos2Desejados65Avaliaram16

    Nos três ensaios que compõem este livro sucinto e brilhante, Peter Gay mobiliza sua proverbial erudição para analisar alguns dos romances-chave do realismo no século XIX: Casa sombria (1853), de Charles Dickens; Madame Bovary (1857), de Gustave Flaubert; e Os Buddenbrook (1901), de Thomas Mann. O autor demonstra que as obras mais representativas do realismo literário constituem documentos de valor inestimável para o historiador interessado. A "verdade" da obra de arte, para Gay, é frequentemente mais confiável e informativa que a enorme massa de dados documentais que costuma balizar as pesquisas sobre o período. No caso sintomático de Madame Bovary, por exemplo, o autor destaca como o incansável apetite investigativo de Flaubert, que consultou centenas de livros para construir a verossimilhança de seus personagens e dos eventos narrados no romance, converte o livro num autêntico compêndio informativo sobre o cotidiano da pequena burguesia provinciana. O filtro da ficção torna ainda mais aguçadas as vingativas ironias dos três gigantes do realismo europeu, que quando lidos com a devida ênfase documental se convertem em grandes cronistas da história.

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    jota 11 picture
    jota 1109/09/2014Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Três sujeitos ilustres...

    O que Peter Gay faz neste livro de título curioso, Represálias Selvagens, é estudar, através das obras de conhecidos autores Charles Dickens, Gustave Flaubert e Thomas Mann -, as relações entre literatura e história ou seja, entre ficção e realidade. São dissecadas, respectivamente, Casa Sombria (ou Casa Desolada, 1853), Madame Bovary (1857) e Os Buddenbrook (1901). Todas histórias que constituem marcos da literatura ocidental e que tiveram milhões de leitores desde que foram publicadas. Mas PG não se limita apenas ao estudo dessas obras e estende sua análise para outros livros dos três gênios europeus e até mesmo de outros autores, quando quer fazer comparações. Além do aspecto literário, ele aborda também traços da biografia e personalidade de cada autor, questões do tempo e da sociedade em que viveram, etc., e que podem ser plenamente encontrados em seus livros. E isso é que é muito interessante, de fato o centro deste livro, a razão de seu título. Assim, Charles Dickens é caracterizado como o anarquista zangado, Flaubert, de o anatomista fóbico, e Mann, de o aristocrata rebelde Depois, no epílogo, que chamou de As Verdades das Ficções, PG escreve, após discorrer sobre a questão da interpretação da realidade, que (...) pode haver história na ficção, mas não deve haver ficção na história. O problema é que a coisa toda não se simplifica nessa regra, pois os leitores querem confiar nos escritores de ficção tanto quanto querem confiar nos historiadores. Pois é... O epílogo também traz um pequeno estudo de O Outono do Patriarca, célebre livro de Gabriel García Marques, que PG chama de um romance profundamente histórico sobre as ditaduras latino-americanas e que contém verdades essenciais sobre os déspotas Trujillo (República Dominicana) e Pinochet (Chile). Ele conclui: (...) nas mãos de um romancista de primeira categoria, uma ficção pode fazer história, nos dois significados dessa expressão. São questões como essas e várias outras que encontramos em Represálias Selvagens. Interessantes, de fato, mas que abordadas com o característico (e necessário) estilo erudito de PG, podem parecer destinadas a agradar muito mais estudiosos de literatura e história do que propriamente leitores comuns. De todo modo, mesmo estes sempre terão algo novo a aprender com o livro. Eu aprendi... Lido entre 06 e 09/09/2014.

    3 curtidas

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    Avaliações

    3.6 / 16
    • 5 estrelas13%
    • 4 estrelas44%
    • 3 estrelas38%
    • 2 estrelas6%
    • 1 estrelas0%
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    Peter Gay

    Foi um historiador alemão, radicado nos Estados Unidos da América. Conhecido por ter dedicado mais de vinte anos ao estudo do iluminismo. A partir no início da década de 1970, adotou o período vitoriano como objeto de pesquisa. É o autor da mais notória biografia do psicanalista Sigmund Freud. Trabalhou como professor de ciência política na Universidade de Columbia entre 1948-1955 e como professor de história entre 1955-1969. Lecionou em Yale desde 1969 até sua aposentadoria em 1993. Foi professor emérito de história na Universidade de Yale.

    18 Livros
    19 Seguidores

    Peter Gay