Joaquim Rolla sabia bem do que o jogo é capaz. Desde que teve de trabalhar duro para pagar uma tropa de mulas perdida no carteado, evitava se envolver com jogos de azar. Mas foi num lance de sorte que obteve a participação no Cassino da Urca, onde despontou como um dos mais ambiciosos e criativos empreendedores do Brasil. O Rei da Roleta biografa este lutador que teve de navegar tantas marés para levar seu sonho adiante. Sua vida se confunde com com a história do cinema, da política e principalmente da música brasileira. Ao adquirir o Cassino da Urca, ele o tornou internacionalmente conhecido, gerindo com criatividade, perspicácia e muita paixão - nas décadas de 1930 e 40 era o lugar onde tudo acontecia. Foi lá que Carmen Miranda consagrou-se a artista mais bem paga do país; foi lá que o Parabéns a você ganhou sua versão nacional; que Orson Welles filmou parte do seu It's All True, e o estúdio de cinema Atlântida rodou muitas de suas chanchadas; e foi em suas roletas que o físico Gamow inspirou-se para explicar um fenômeno das supernovas, chamando-o de Efeito Urca. Joaquim Rolla abordava artistas estrangeiros para cantarem tanto no seu cassino como na rádio Tupi, de seu amigo Assis Chateaubriand. Criou a Agência Difusora de Anúncios, primeira agência de publicidade exclusiva de um negócio, onde empregava o jovem jornalista Carlos Lacerda. Construiu inúmeros cassinos célebres pelo Brasil, como o Quitandinha, em Petrópolis, e a Pampulha em Belo Horizonte. Este com o apoio do prefeito Kubitschek e projeto de Niemeyer, prenunciando a construção de Brasília. Uma contribuição imensurável para a cultura brasileira e um legado que vai muito além da Urca.
O Rei da Roleta -
João Perdigão
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João Perdigão
João Perdigão é jornalista e atua como pesquisador, escritor e editor independente. Seu primeiro livro, "Tropecassino: um jogo em fantasia" (2009) é uma publicação colaborativa ilustrada que mostra as dificuldades para escrever "O rei da roleta: a incrível vida de Joaquim Rolla" (2012), ao lado de Euler Corradi. Depois lançou "Viaduto Santa Tereza" (2016), sobre o berço do rap e da arte urbana em Belo Horizonte. Pesquisou e escreveu a biografia do pintor modernista Alberto da Veiga Guignard, "Balões, vida e tempo de Guignard" (2021). Desde 2010, coedita a revista colaborativa A Zica, que a cada edição pauta temas provocativos e divulga artistas gráficos contemporâneos. Entre os principais temas de sua pesquisa atual destacam-se a história das artes gráficas, da fotografia e da arte urbana em Belo Horizonte.





