🔪 Talvez Vestida Para Matar seja mais conhecida devido a sua adaptação cinematográfica em 1980. Mas o livro co-escrito por Brian De Palma e Campbell Black merece seu destaque. Confesso que tem elementos aqui que achei bem mais interessante do que em sua adaptação para as telas, principalmente os pensamentos do protagonista, essas partes são as mais interessantes da obra.
🔪 No argumento, não vamos encontrar nada que tenta reinventar a roda quando o assunto é “quem matou quem?”, mas nas suas entrelinhas, vamos encontrar um discurso inusitado com bastante descarga psicológica e conflito de identidade. A temática “Queer” chega com os dois pés na porta, adicionando ainda mais complexidade às camadas do enredo.
🔪 Graças a essas camadas sobre psicanalise e identidade, Vestida Para Matar consegue fácil fácil se sobresair de apenas mais uma obra de Mistério e Assassinato. Lançado no mesmo ano do filme, 1980, Vestida Para Matar tenta emular um Giallo, por mais que esse gênero Italiano tenha perdido fôlego nesse período. De Palma faz as suas homenagens narrativas, e pesa a mão no seu discurso. Corroendo e nos fazendo refletir sobre todo o conflito mental daquele cidadão.
🔪 Acho que De Palma poderia ter carregado mais da atmosfera Noir em sua obra. Dá pra sentir que seu argumento e climax casaria muito bem com toda a ambientação e atmosfera que o noir carrega por si mesmo. Mas entendo ele ter deslocado a sua obra para os tempos nos quais ele estava sendo escrito. Com isso, a atenção e foco passa a ser exclusivamente na construção dos personagens, e não no meio no qual eles estão inseridos. E sobre isso, Vestida Para Matar é uma aula.