Vaca de Nariz Sutil -

    Campos de Carvalho

    José Olympio
    2008
    112 páginas
    3h 44m
    ISBN-13: 9788503009904
    Português Brasileiro

    "Vaca de Nariz Sutil", publicado originalmente em 1961, mantém o nonsense e a anarquia da obra anterior do autor, "A Lua Vem da Ásia", sendo, porém, o texto mais sombrio de Campos de Carvalho. "Escrevi-o aos prantos", disse numa entrevista. O romance é narrado de forma alucinatória por um ex-combatente de guerra que não diz (ou esqueceu) o seu nome e não vê mais sentido na vida entre os homens. Abrigado numa pensão, passa seus dias a espiar por buracos de fechadura as patéticas existências alheias. O escritor Juva Batella afirma que "Campos de Carvalho zombou de tudo o que lhe pareceu estúpido e cruel, fazendo da vida de cada um de seus narradores, em cada um seus livros, um poema onde se pode ler, sem atenuantes, o absurdo. Vaca de nariz sutil ficará em nossa lembrança como um romance inteiramente dedicado a combater a loucura da guerra através do exercício obstinado da memória – a única companheira possível numa viagem cujo fim é a noite." "Vaca de Nariz Sutil" – nome tirado de um quadro do pintor francês Jean Dubuffet ("... assim se chamava o quadro, e em vão tenho eu procurado uma vaca assim entre as vacas e sobretudo os homens").

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    Marcos Groch27/04/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Vaporoso delírio

    Sem dúvidas, esse foi o livro mais difícil que eu tive que resenhar. Foi tão surreal que as coisas quase não faziam sentido. O autor trata de um veterano que sofre com os vestígios da guerra de uma forma bastante abstrata e filosófica. Durante várias páginas eu tive que voltar a ler o que tinha acabado de ler, porque não estava entendendo absolutamente nada. Fiquei pensando "Ou o narrador é muito inteligente, ou muito louco, ou eu sou muito burro, ou muito inteligente". Comecei a questionar a sanidade dele, uma vez que os fluxos desordenados de consciência que estavam sendo narrados, estavam fragmentando qualquer vestígio de segurança intelectual que eu tinha. O protagonista simplesmente aceita seu fracasso e vai até ele sem se importar em questionar ou mudar os acontecimentos. Foi aí que eu pensei no quão a mente de alguém que vai a uma guerra fica fodida após retornar dela. Sabe quando você olha pra uma nuvem e tenta adivinhar o formato dela, mas ela não tem formato de nada? É esse o sentimento que esse livro vai te fazer sentir. É um desabafo? Uma confissão de desespero? Uma piada? Apesar de o autor ter dito que escreveu esse livro aos prantos, parece que ele foi escrito numa espécie de sonambulismo. Cada palavra que foi posta no papel, aparenta que teve o "foda-se" no modo ON para a lógica tradicional. Mas ao mesmo tempo, se mostra tão lúcido que você percebe o quão "fora da caixa" ele é.

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