Vaca de nariz sutil -

    Campos de Carvalho

    Autêntica Editora
    2017
    96 páginas
    3h 12m
    ISBN-13: 9788551303306
    Português Brasileiro

    Escrito em 1961, este segundo livro de Campos de Carvalho segue o mesmo tom narrativo de A lua vem da Ásia, de 1956. Permeado pelo insólito, pela ironia, doses ácidas de humor e crítica, Vaca de nariz sutil carrega as marcas do estilo único de Campos de Carvalho. Para o narrador – um ex-combatente de guerra – a vida, o mundo, as relações humanas não faziam mais sentido. Assim, ele resolve viver a vida dos outros, espiar pelas frestas do cotidiano aquilo que se passa ao redor. Como disse o autor em entrevista: “Escrevi este livro aos prantos”. E entendemos o motivo: a agonia adiada e a certeza de um texto dedicado a combater a loucura da guerra. Tarefa difícil aqui é a de evitar a perplexidade do leitor diante do jorro verbal do autor, na lucidez em face de um mundo cada vez mais solitário e cruel. Mas, uma vez sobrevivente, sairá mais fortalecido e reflexivo.

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    Marcos Groch27/04/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Vaporoso delírio

    Sem dúvidas, esse foi o livro mais difícil que eu tive que resenhar. Foi tão surreal que as coisas quase não faziam sentido. O autor trata de um veterano que sofre com os vestígios da guerra de uma forma bastante abstrata e filosófica. Durante várias páginas eu tive que voltar a ler o que tinha acabado de ler, porque não estava entendendo absolutamente nada. Fiquei pensando "Ou o narrador é muito inteligente, ou muito louco, ou eu sou muito burro, ou muito inteligente". Comecei a questionar a sanidade dele, uma vez que os fluxos desordenados de consciência que estavam sendo narrados, estavam fragmentando qualquer vestígio de segurança intelectual que eu tinha. O protagonista simplesmente aceita seu fracasso e vai até ele sem se importar em questionar ou mudar os acontecimentos. Foi aí que eu pensei no quão a mente de alguém que vai a uma guerra fica fodida após retornar dela. Sabe quando você olha pra uma nuvem e tenta adivinhar o formato dela, mas ela não tem formato de nada? É esse o sentimento que esse livro vai te fazer sentir. É um desabafo? Uma confissão de desespero? Uma piada? Apesar de o autor ter dito que escreveu esse livro aos prantos, parece que ele foi escrito numa espécie de sonambulismo. Cada palavra que foi posta no papel, aparenta que teve o "foda-se" no modo ON para a lógica tradicional. Mas ao mesmo tempo, se mostra tão lúcido que você percebe o quão "fora da caixa" ele é.

    60 curtidas

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