O Coronel Chabert -

    Honore De Balzac

    Assírio & Alvim
    2011
    144 páginas
    4h 48m
    ISBN-13: 9789723715743
    Português Brasileiro

    O Coronel Chabert, herói das Guerras Napoleônicas, após a Batalha de Eylau é tido como morto, sendo enterrado em uma vala coletiva. Na verdade, conseguiu sobreviver e se desenvencilhar da pilha de cadáveres e, após longa recuperação e andanças (incluindo um período num hospício), anos depois enfim retorna a Paris, totalmente miserável, para descobrir que sua esposa “herdara” sua fortuna, casara-se novamente e teve dois filhos com o marido novo, o conde Ferraud.

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    Alexandre Figueiredo06/07/2020Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    O mestre atemporal

    É interessante perceber como grandes autores sempre têm algo a dizer e o francês Honoré de Balzac está facilmente incluso nesse seleto grupo. Esta novela, que integra (a grandiosa) "A comédia humana", é uma pequena obra-prima. Em "O coronel Chabert" somos convidados ao questionamento do valor da ausência e da força da presença daqueles que estimamos. São conceitos bem filosóficos, porém tratados aqui com a maestria dos ficcionistas e, como é marca conhecida do autor, sua habitual ironia e deboche aos costumes franceses de sua época. A verdade é que é difícil não simpatizar com as figuras dessa pequeníssima edição que tenho, lançada na coleção "Grandes amores" da Cia. das Letras. Do pitoresco e atento advogado Derville e seus ajudantes atrapalhados e burocráticos, passando pela personalidade ambígua e interessante da condessa Ferraud, para terminar no perdido, iludido e inocente coronel Chabert do título. Balzac mostra uma rara habilidade para prender a atenção em menos de 80 páginas. Ele escancara medos e dúvidas a respeito do que constituí uma identidade, fazendo com que nos questionemos sobre o real valor das pessoas de nossas vidas. E como se fosse pouco, o autor é um ácido observador social, mostrando que as preocupações humanas realmente são uma comédia. Esse francês é mais um da galeria dos necessários a conhecer e segue inspirando gerações de novos romancistas, a exemplo do espanhol Javier Marías, que voltaria a explorar o tema em sua máxima potência psicológica. Mas isso é outra conversa.

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