Quando li este livro pela segunda vez, comparei a leitura a ouvir um maravilhoso disco de música que dá vontade de ouvir novamente desde o começo assim que acaba, e outra vez e outra vez...
Talvez por essa analogia, quando “O Profeta” surgiu novamente para mim, senti imediatamente o desejo de transformar a experiência da leitura em uma música. Enquanto estava mergulhado no livro, percebi que esse foi um artifício muito útil para me fazer aprofundar a leitura, relendo várias vezes cada trecho, buscando transformar essa passagem ou aquela em versos rimados. Só por isso já valeu a ideia!
Mas o melhor é que a música acabou saindo! Não ficou como eu havia imaginado a princípio, uma transposição literal da essência do livro para uma letra de música, mas acabou se transformando em algo que achei até mais interessante: uma música sobre a minha experiência de leitura e interpretação íntima e pessoal de “O Profeta”.
Eis a letra, que foi lindamente musicada por meu amado irmão e parceiro de todas as horas, Fabrício Barretto:
O PROFETA
Quem é que pode se despedir sem tristeza
De sua própria amargura e solidão?
Quem é que pode se encantar com a beleza
Que já não esteja segura em seu coração?
Quem é que pode se jogar na incerteza
Sem perder a ternura?
Quem é que pode?
Quem é que pode?
Assim falou o Profeta
Assim falou o Profeta
Assim falou
Quem é que sabe ser uma flauta serena
Onde o murmúrio da vida entoe a sua canção?
Quem é que sabe ser uma gota pequena
No grande mar protegida de sua extinção?
Quem é que sabe ter um papel nesta cena
E outro logo em seguida?
Quem é que sabe?
Quem é que sabe?
Assim falou o Profeta
Assim falou o Profeta
Assim falou
Quem é que chega, despindo o próprio ego,
A uma nudez tão completa que é revelação?
Quem é que chega, com um total desapego,
A ser o arco e a seta de seu próprio não?
Quem é que chega em uma terra de cego
A se tornar um profeta?
Quem é que chega?
Quem é que chega?
Assim falou o Profeta
Assim falou o Profeta
Assim falou
http://comunidaderesenhasliterarias.blogspot.com.br/2017/12/o-profeta-gibran-khalil-gibran.html
[resenha anterior]:
Se você gosta de música, talvez tenha passado por uma experiência parecida. Um belo dia surge aquele disco que você ouve feliz do início até o fim, e quando acaba você sente uma vontade irresistível de ouvir novamente desde o princípio... e ouvir de novo e de novo!
Pois bem. Acabo de ler pela segunda vez essa jóia inigualável da literatura. O encantamento foi tamanho que assim que acabei de ler comecei a ler pela terceira vez “O Profeta”!
A metáfora da música procede porque esse livro é sobretudo uma belíssima canção, uma canção da alma inspiradíssima de um poeta maior como raríssimos há, tal como Gibran Khalil Gibran.
Ao ler esse livro agora, descobri fascinado que a Poesia possibilita tocar o mais íntimo da alma, e acessar verdades profundas que lá aguardam.
Um livro para toda a vida!
(06.06.10)