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    Cartas exemplares -

    Gustave Flaubert

    Imago
    2006
    260 páginas
    8h 40m
    ISBN-13: 9788531209468
    Português Brasileiro
    4.5
    25 avaliações
    Leram37Lendo2Querem82Relendo1Abandonos0Resenhas4
    Favoritos3Desejados82Avaliaram25

    As cartas de Flaubert são uma das maiores obras-primas epistolares da era moderna, só comparáveis à correspondência de George Bernard Shaw, ou às cartas entre Walter Benjamin e Gershom Scholem, ou entre Edmund Wilson e Nabokov. De forma mais tocante do que qualquer outro documento de sua vida, essa extraordinária correspondência aborda os mistérios da criatividade e da personalidade, e as alquimias da sobrevivência. Ela nos permite confrontar as mesmas questões de acordo com as nossas próprias obsessões, nossas dores e triunfos, nossos fracassos.

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    Carlos Eduardo Souza Queiroz picture
    Carlos Eduardo Souza Queiroz04/05/2014Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Um excerto de um texto que escrevi sobre cartas na Literatura depois de ler essas "Cartas exemplares"

    É indispensável consulta as cartas de cada autor. Elas nos dão a imagem do escritor e a do homem: as cartas são uma biografia documental e retrato da alma dos que marcaram seu tempo pela arte ou pelo pensamento. Uma coletâneas que há pouco encontrei foram as “Cartas de Amor” de Monteiro Lobato a Dona Purezinha (sua esposa). Nelas, encontramos o homem que foi Monteiro Lobato, longe do escritor. Vemos sua vida antes, durante e depois de seu casamento jovem ainda com apenas vinte e tantos anos que sofre por amor: “Por que não me escreves atabalhoadamente, borrando, riscando o papel, sem ordem, sem estio, sem correção, sem nada desses estorvos gramaticais. Só assim se pode bem exprimir um sentimento” Como se pode ver nesse trecho, Lobato não se preocupa com esses “estorvos gramaticais”, e isso se pode notar no próprio volume os erros, onde foram fielmente copiados das cartas que D. Purezinha guardava. As “Cartas de Álvares de Azevedo” não trazem nada de interessante, uma vez que só mandava-as aos familiares (sobretudo sua mãe), contando seus dias de tédio em São Paulo. Mas o que chama atenção é o domínio que tinha sobre a língua inglesa e francesa. Insignificantes são também as cartas de Machado de Assis (me refiro, não as da edição de seu centenário de morte, mas sim o de nascimento, 1939 M. Jackson). Agrippino Grieco diz que “não encontramos nelas o mestre pois nada se vê do intelectual, só o burocrata e o homem domestico.” De todas as relações tortuosas de Franz Kafka, a que mais lhe pesou na alma foi a que teve com seu pai. Movido pela angustia desta relação, Kafka escreve uma “Carta ao Pai”, onde lhe chama por “deus”, “tirano”, “rei” e “regente”. Nesta carta decide desatar o nó em sua garganta e falar francamente com aquele que o reprime. Nunca foram pai e filho, partindo disso, da disputa que havia entre ambos, ele decide escrever esta carta para trazer paz entre eles : "Essa tua maneira de ver as coisas eu só considero certa na medida em que mesmo eu acredito que não tenhas a menor culpa em nosso alheamento. Mas também eu não tenho a menor culpa. Se eu pudesse te levar a reconhecê-lo, então seria possível, não uma nova vida ? que para isso estamos ambos velhos demais?, mas o abrandamento de tuas intermináveis acusações." O poeta Franz Xaver Kappus resolveu “endereçar a Rainer Maria Rilke minhas tentativas poéticas pedindo-lhe um julgamento” Intensas, sinceras, simples e profundas são estas dez cartas escritas entre 1903 e 1908. Os conselhos literários podem ser resumidos em poucas linhas, assim como Cecília Meireles vê, todavia não se pode dizer o mesmo dos conselhos de vida. “Cartas Exemplares” é uma pequena amostra da obra epistolar de Gustave Flaubert, que compreende, em algumas edições 9 volumes. Mas infelizmente não temos senão este volume de pouco mais de 250 paginas. Contando com três capítulos que, cobre desde sua infância até “Bouvard e Pécuchet”, nos mostra um jovem que perdeu o amor á vida e se jogou “dans La litterature comme dans un orgie perpetuell.” Agrippino Grieco ao falar das cartas de Machado, se refere as de Flaubert saudoso de todo aquele trabalho interminável, de toda a angustia, do desespero, da dor, das obsessões, triunfos e fracassos, que elas transparecem. “Eu trabalho como uma mula há quinze anos. Vivi toda a minha vida nesta obstinação de maníaco, com a exclusão de minhas outras paixões que tranquei em gaiola, e que eu ia ver só para me distrair. Oh! Se algum dia eu fizer uma obra boa, terei ganho. Queira Deus que a frase ímpia de Buffon seja verdade! Eu certamente serei um dos primeiros”[“O gênio é apenas uma longa paciência.” Buffon]. Ainda não podemos deixar de apontar as cartas de Manuel Bandeira e Mario de Andrade, as de Fernando Sabino e Clarice Lispector, de Carlos Drumond e João Cabral de Melo Neto ou seus 1.812 correspondentes catalogados na Fundação Rui Barbosa. Balzac escrevia falando de seus personagens como se fossem reais, Voltaire escreveu dez mil cartas e na edição definitiva russa da Obra Completa de Tolstói compreende-se 30 volumes de sua correspondência.

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    Gustave Flaubert profile picture

    Gustave Flaubert

    "Madame Bovary sou eu", disse Gustave Flaubert quando os juízes lhe perguntaram quem teria sido o modelo da sua personagem, durante o seu julgamento, em 1856. Ele foi acusado pelo governo francês de ter escrito uma "obra execrável sob o ponto de vista moral". Mas foi absolvido pela Sexta Corte Correcional do Tribunal do Sena, em Paris, em fevereiro de 1857. Resultado de cinco anos de trabalho, seu romance de estréia, "Madame Bovary", é uma dura depreciação dos valores burgueses. Segundo alguns críticos conservadores, Flaubert ridicularizou sua própria condição social. Afinal, o autor era filho de um médico provinciano rico e vivia de rendas em sua idade adulta na propriedade rural do pai. A história de Emma Bovary, que trai o marido para fugir da vida medíocre, é um retrato da incapacidade mental, emocional e moral das sociedades provincianas. Flaubert se dizia um estudioso da estupidez humana e colecionava episódios de burrice publicados em livros e jornais. Para ele, estupidez era mais freqüente na província. A falta de inteligência também foi o tema de "A Tentação de Santo Antão" (1874). Em 1840, como prêmio por ter concluído os estudos secundários, ganhou uma viagem para os montes Pirineus e para a ilha de Córsega. Ao passar por Marselha, viveu um namoro com Eulália Foucaud de Langlade. O idílio foi inspiração para a obra "A Educação Sentimental" (1869). Entre 1849 e 1851, o autor viajou para a África, onde colheu informações para "Salambô" (1862), sobre a queda de Cartago. Flaubert foi um dos autores mais importantes do Realismo, movimento estético de reação ao Romantismo europeu no século 19, influenciado pelas teorias científicas, a Revolução industrial e a linha filosófica de Augusto Comte (o Positivismo). Ele levou à perfeição o ideal do romance realista de harmonizar a arte e a realidade. Sua obra se caracteriza pelo cuidado na sintaxe, na escolha do vocabulário e na estrutura do enredo. Em 1866, recebeu a Legião de Honra do governo francês. Pouco antes de sua morte, vendeu propriedades para evitar a falência do marido de sua sobrinha. Passou a viver de um salário como conservador da Biblioteca Mazarine. O romance "Bouvard et Pécuchet" foi publicado inacabado, postumamente.

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    Gustave Flaubert