Mrs. Dalloway (Mulheres Modernistas) -

    Virginia Woolf

    Cosac Naify
    2012
    224 páginas
    7h 28m
    ISBN-13: 9788540501829
    Português Brasileiro

    Toda a história do romance se passa num único dia, em junho de 1923, em que Clarissa Dalloway resolve ela mesma comprar flores para a festa que vai oferecer logo mais, à noite, em sua casa. A partir desta cena inicial, o romance segue a protagonista pelas ruas de Londres num ritmo cinematográfico, registrando suas ações, sensações e pensamentos. Em torno de Clarissa, gravitam vários personagens: o marido Richard Dalloway, a filha Elizabeth, um amigo de juventude que acaba de voltar da Índia, Peter Walsh, com quem ela tem grande conexão afetiva. Até mendigos que ela encontra na rua e o próprio Primeiro-Ministro vão entrar na história. Certos personagens atravessam o caminho de Clarissa, sem que ela se dê conta, e passamos a segui-los. É o caso de Septimus Warren Smith, um ex-combatente da Primeira Guerra Mundial arruinado pela doença mental. Há simetrias, ressonâncias e descontinuidades, numa trama muito bem urdida por Virginia Woolf. A autora é prodigiosa na exploração dos desvãos da consciência e das ambiguidades entre os afetos e as convenções sociais. Passado e presente se intercalam, e acessamos os vários planos da subjetividade por meio de um elaborado uso do discurso indireto livre. Muito já se comentou sobre Mrs. Dalloway, desde que o livro foi publicado pela primeira vez, em 1925. O romance já foi considerado impressionista, criticado pela falta de unidade e reverenciado por ser revolucionário em termos de linguagem. Já se disse que a obra é incrivelmente contemporânea, fazendo uso de técnicas de justaposição e montagem, como no cinema. Há quem trate o livro como um romance feminino. Ou como um brilhante ensaio filosófico. Mrs. Dalloway também pode ser lido como um documento das transformações sociais e políticas dos anos 1920, ou como um romance psicológico. Ou mesmo como uma vibrante história de amor, com final aberto. A última palavra, evidentemente, é sempre do leitor.

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    Jonara Oliveira picture
    Jonara Oliveira21/03/2010Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Imagine que você é um beija-flor, batendo asas a 70, 80 batidas por segundo... indo de flor em flor para captar o nectar, aqui e ali, leve leve... tão leve que chega a irritar, mudando de posição tão rápido que mal se percebe o momento que se saiu de uma flor e se partiu para outra. Isso é a escrita da Virgínia Woolf neste livro. Ela voa de um pensamento a outro, de um personagem a outro, leve, irritante e frenéticamente... é exaustivo acompanhar a linha de raciocínio que segue e segue e segue... 187 páginas de pensamentos de um único dia! É poético, depressivo, luminoso ao mesmo tempo. Um dia na vida de Mrs. Dalloway, em que ela vai dar uma festa. Nada fora do comum, nada de especial, só as sensações, lembranças, as impressões das pessoas naquele dia. Um livro bem interessante, é interessante também a quantidade de vezes que Virgínia Woolf se refere às ondas, ao mar, água, etc. Realmente, parece que ela sempre teve uma relação forte com o mar. Fluxo de consciência é algo que me deixa profundamente incomodada. Não consigo acompanhar o pensamento deles, me perco nos meus e começo a achar que o autor é maluco, ou que eu estou começando a ficar maluca. Realmente me perturba ler qualquer coisa escrita desta forma. O que não significa que isso seja ruim.

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