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    Garoto linha dura -

    Sérgio Porto

    Círculo do Livro
    1978
    134 páginas
    4h 28m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    3.9
    68 avaliações
    Leram154Lendo15Querem48Relendo0Abandonos1Resenhas7
    Favoritos1Desejados48Avaliaram68

    O garoto linha dura, um dos inúmeros personagens criados por Stanislaw, transforma as 55 crônicas do livro em um retrato da sociedade dos anos 60, com aspectos atualíssimos. O autor transforma temas do dia a dia - como doenças, minorias sexuais, mulheres sedutoras, férias etc - em alta literatura. Com o talento de sua pena, repressão vira humor, ao criticar um sistema que começava a instalar a censura. Jaguar foi seu maior cúmplice e também ilustrador do livro. Com Garoto linha dura, a Agir dá continuidade à publicação integral destes autores impagáveis, Stanislaw Ponte Preta e Sérgio Porto. Não necessariamente nessa ordem

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    Lívia Teixeira picture
    Lívia Teixeira25/09/2020Resenhou um livro
    0

    Stanislaw Ponte Preta é o pseudônimo de Sérgio Porto. Stanislaw dirige-se a um público variado, tanto o leitor popular quanto o intelectual, desse modo, Sérgio Porto construiu em suas crônicas uma nova linguagem própria para os veículos de imprensa que atingisse a diversos tipos de leitores, utilizando-se de linguagem coloquial e mimética, incorporando vozes sociais de diferentes grupos ideológicos em conflito no cenário político, registrando assim, o imaginário social a respeito do golpe militar de 1964. Na primeira crônica "Garoto linha dura", a qual deu o nome do livro, um menino chamado Pedrinho acaba quebrando a janela da vizinha com sua bola. A vizinha sabe que foi ele e conta ao seu pai, mas comenta que provavelmente o menino não admitirá a culpa por medo de ser castigado, e assim acontece. Pedrinho mente mesmo quando seu pai diz que não irá castiga-lo e acaba colocando a culpa no filho do vizinho. O pai resolve então ir até a casa do vizinho com Pedrinho para esclarecer o ocorrido, e a crônica termina esclarecendo que é nesse momento que Pedrinho tem ideias revolucionárias, e diz a seguinte frase: " - Papai, esse menino do vizinho é um subversivo desgraçado. Não pergunte nada a ele não. Quando ele vier atender a porta, o senhor vai logo tacando a mão nele." Já logo de início, fica claro o tom sarcástico usado constantemente por Stanislaw e a crítica ao cenário político. A linguagem da crônica é bastante informal, tornando-a de fácil leitura para qualquer tipo de espectador, mas também agradando o grupo de leitores mais intelectuais que com um olhar mais atento entenderiam a crítica por trás da história comum do cotidiano de um menino que quebrou uma janela com sua bola e não quis admitir. As "ideias revolucionárias" ditas tidas por Pedrinho seriam uma referência às ideias militaristas que eram vendidas com tom de revolução do povo, essas mesmas ideias que levam Pedrinho a dizer para o pai que não deveria perguntar nada ao filho do vizinho e simplesmente bater no garoto, ao qual chama de subversivo, onde "subversivo" seriam as pessoas que iam contra as ideias do regime militar. Pedrinho incorpora os chamados "dedos-duros" da época da ditadura, ficando claro na crônica a intolerância e a violência com que eram tratadas as pessoas que possuíam ideologia contraria aos agentes sociais envolvidos no golpe militar.

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    Sérgio Marcus Rangel Porto profile picture

    Sérgio Marcus Rangel Porto

    Nasceu no Rio de Janeiro em 1923 e morreu na mesma cidade em 1968. Foi cronista, radialista, homem de TV e compositor. Conhecido nacionalmente por meio do pseudônimo Stanislaw Ponte Preta, publicou coletâneas de crônicas e textos sobre futebol, além do <i>Febeapá</i>, um conjunto de textos que, publicados em plena ditadura, satirizavam os despautérios de nossos poderosos.

    25 Livros
    56 Seguidores
    Rio de Janeiro, Brasil

    Sérgio Marcus Rangel Porto