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    O mapa e o território -

    Michel Houellebecq

    Record
    2012
    400 páginas
    13h 20m
    ISBN-10: 8501093475
    Português Brasileiro
    4.2
    186 avaliações
    Leram266Lendo16Querem307Relendo0Abandonos5Resenhas18
    Favoritos22Desejados307Avaliaram186

    Prêmio Goncourt 2010 Jed Martin, protagonista deste romance, é um artista francês que se torna famoso por reproduções de mapas rodoviários e por quadros retratando pessoas no exercício de suas profissões - entre elas, um famoso e polêmico escritor. Por mais que tenha sucesso em sua carreira, Jed não consegue se relacionar com as pessoas que realmente importam para ele: seu pai e a bela russa Olga. O único acontecimento capaz de tirar a vida de Jed de seu curso é um assassinato brutal, que ele ajudará a desvendar e que o marcará até o fim da vida. Combinando beleza, melancolia e compaixão, Houellebecq constrói um envolvente jogo de espelhos sobre arte, dinheiro, trabalho, morte e amor.

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    Arsenio Meira picture
    Arsenio Meira12/02/2013Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Houellebecq, aqui em versão bem mais consistente do que em romances como "Partículas elementares" e "Plataforma", retrata, magistralmente, o ser humano reduzido ao consumo, ao dinheiro. Mas a trama não se restringe a esses dois tópicos. O personagem que protagoniza este excelente romance é Jed Martin: um artista francês observador da sociedade, um homem indiferente à participação na vida social. Seu primeiro trabalho é feito a partir de fotografias dos mapas dos guias de turismo Michelin, da onde vem a referência do título: mais do que o território, o que o interessa é o mapa, mais do que a realidade, o conceito. Prosa descritiva que escorre limpidamente pela pagina como se fosse um manancial d’água, O Mapa e o Território narra com grande riqueza de detalhes a instabilidade econômica e estética do mundo das artes. Na sociedade do espetáculo (onde o consumo e a valorização circunstancial de determinados artistas estão intimamente ligados com a ascensão burguesa), em lugar de propor inovações temáticas ou técnicas, alguns artistas (ele dá nome aos bois) adotam as ferramentas de marketing para agregar mediocridade a cada uma das peças que produzem. São as regras do capitalismo predatório que elevam a cotação (e o preço) das fotografias, pinturas a óleo produzidas por Jed Martin. Jed é um homem infeliz. Misantropo, a morte iminente de seu pai (arquiteto aposentado) e o funcionamento de um boiler são os últimos lastros de humanidade que o ligam ao mundo. Artista plástico consagrado desde que realizou uma série de fotografias sobre uma coleção de mapas Michelin, soube manter a privacidade – evitando a exposição gabola e o desgaste. A forma como Houellebecq se cria e se insere no livro é uma ironia com a imagem que se criou dele. Ao mesmo tempo, mostra o egocentrismo do autor: o personagem é um falastrão típico, mas que alia na suas falas erudição e sinceridade. Ele vive e some; aparece na trama e, detonando-se em sede de metalinguagem, revive sob a manta de um mistério trágicômico, que é arrolado ao romance como um aviso de que o suspense pode, (e por que não?), ilustrar o vazio ou a ausência. "É impossível escrever um romance (...) pela mesma razão que é impossível viver: em razão das inépcias acumuladas", comenta o escritor-personagem para Jed. Enfim, Houellebecq some da história também em uma demonstração de galhofa do autor consigo mesmo e com todos os seus críticos, detratores e seguidores: assassinado de forma brutal, marca uma breve guinada do romance para o tema policial, numa tacada genial. É um livro para sempre.

    44 curtidas

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    4.2 / 186
    • 5 estrelas38%
    • 4 estrelas38%
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    • 2 estrelas3%
    • 1 estrelas0%
    Michel Thomas profile picture

    Michel Thomas

    Michel Houellebecq, nascido Michel Thomas, é um escritor francês, nascido na ilha Reunião, em 26 de Fevereiro de 1958 (de acordo com sua certidão de nascimento) ou 1956, segundo a biografia do jornalista Denis Demonpion. Seus romances Partículas Elementares e Plataforma lhe valeram uma reputação internacional de provocador, embora sejam também frequentemente considerados como um sinal de renovação da literatura francesa. Seu primeiro romance, Extensão do Domínio da Luta (Extension du domaine de la lutte), foi publicado em 1994. O livro contém o tema principal de seus romances: a miséria afectiva das pessoas em nossa época. Partículas Elementares (Les Particules élémentaires) provocou uma tempestade nos meios literários, dentro e fora da França, em 1998. O romance foi chamado "pornográfico". De fato o livro dá toda margem a tais interpretações, na medida em que explicitamente descreve as aventuras sexuais do irmão do protagonista, com riqueza de detalhes, em situações típicas de filmes pornô. Evidentemente não é por essa razão que Houellebecq tem sido valorizado. Neste mesmo livro, sua discussão central não é o sexo, mas uma história do ser humano, da humanidade, ternamente elaborada e narrada de modo singular e, segundo alguns, absolutamente genial. Seu último livro, A possibilidade de uma ilha, é também uma discussão do que é o ser humano, tomando como premissa uma nova raça, os "neohumanos", como comentaristas da vida de seus antecessores clonados - sendo esta uma marca constante do autor. O livro não teve o efeito tsunami das Particulas Elementares , sendo porém muito mais refinado que aquele, e menos incisivo também - mas nem por isso menor.

    65 Livros
    101 Seguidores
    Ilha Reunião, França

    Michel Thomas