Suicídios exemplares (Coleção Folha Literatura Ibero-Americana #6) -

    Enrique Vila-Matas

    Folha de S.Paulo
    2012
    192 páginas
    6h 24m
    ISBN-13: 9788579490521
    Português Brasileiro

    Enrique Vila-Matas é o mestre dos disfarces. Espião que segue as próprias pegadas, suas armas metralham aspas e terminam por atingir o inexistente. A ficção do escritor catalão é composta da literatura alheia, especialista que é em atribuir falsas citações. Igualmente autoficcionista e ideólogo do fiasco, Vila-Matas é um apologista da vida malograda: adoecidos de literatura, sujeitos em via de desaparecer, seus personagens fracassam até mesmo no ato de fracassar. Trata-se de um paradoxo: como Buster Keaton, o comediante que nunca ri, os suicidas líricos deste livro nunca logram se matar. É assim que estes atores de filmes mudos ensaiam a saída pelos fundos sem nunca alcançá-la, como se fossem sombras chinesas dançando na chuva à espera de um relâmpago redentor. São todos bons vivants sub-reptícios, que, em protesto contra a estupidez do mundo, se tornaram bons mourants.

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    Emilio Dantas30/05/2009Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    É SÓ UM LIVRO GENTE.

    - Como é o título senhor? - Suicídios exemplares. - Falei em voz média-baixa. O atendente fez uma cara de compaixão à minha pessoa e foi buscar na prateleira. Parti pra casa lendo no ônibus ( e tendo a certeza absoluta de que a capa, assim como seu título, estaria bem escondidos no meu colo, ou minha cara dentro do livro, enfim...) Tenho que admitir que apesar do tema sombrio, o livro pega. Não pega de perder a hora, mas pega. O Doutor Vila-Matas tem uma forma de escrever bem pessoal, e cheia de objeções, parenteses e virgulas. No terceiro conto você já se instalou no confortável lugar que liga personagens ao seu autor. E diga-se de passagem, o cara sabe criar personagens, muitos. Diferentes. Muito diferentes. O suícido é visto em cada conto por um ponto de vista, ora trágico, ora cômico, ora fantasioso, ora misterioso e até mesmo não-realizado, mas representativo. Mas, não chega a ser cinco estrelinhas, porque, talvez por muita criatividade, ou o uso abundante das virgulas ( e isso vale também para os parenteses ) , de certa forma, o exagero nas observações, que aliás são muitas, fazem você se perder um pouco. Uma piscada e plim. Volta o parágrafo. Lê de novo. E assim vai. Agora um fato que me chamou a atenção, e isso vale pra quem já leu, foi uma misteriosa mensagem subliminar que encontrei no conto " íris negra" ( ou nome parecido ) que a principio pensei que fizesse parte da trama. nota mental: "Caralho, adivinhei antes...que foda que sou!" Mas o conto acaba e aquele fator bizarro não foi desenvolvido, muito menos apresentado. nota mental: "Caralho, que porra é essa...vai ser foda dormir!" Agora deixo só o convite à leitura e que depois possamos debater sobre o evento. Beijos e inté!

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