- Como é o título senhor?
- Suicídios exemplares. - Falei em voz média-baixa.
O atendente fez uma cara de compaixão à minha pessoa e foi buscar na prateleira.
Parti pra casa lendo no ônibus ( e tendo a certeza absoluta de que a capa, assim como seu título, estaria bem escondidos no meu colo, ou minha cara dentro do livro, enfim...)
Tenho que admitir que apesar do tema sombrio, o livro pega. Não pega de perder a hora, mas pega.
O Doutor Vila-Matas tem uma forma de escrever bem pessoal, e cheia de objeções, parenteses e virgulas. No terceiro conto você já se instalou no confortável lugar que liga personagens ao seu autor. E diga-se de passagem, o cara sabe criar personagens, muitos. Diferentes. Muito diferentes.
O suícido é visto em cada conto por um ponto de vista, ora trágico, ora cômico, ora fantasioso, ora misterioso e até mesmo não-realizado, mas representativo.
Mas, não chega a ser cinco estrelinhas, porque, talvez por muita criatividade, ou o uso abundante das virgulas ( e isso vale também para os parenteses ) , de certa forma, o exagero nas observações, que aliás são muitas, fazem você se perder um pouco.
Uma piscada e plim. Volta o parágrafo. Lê de novo. E assim vai.
Agora um fato que me chamou a atenção, e isso vale pra quem já leu, foi uma misteriosa mensagem subliminar que encontrei no conto " íris negra" ( ou nome parecido ) que a principio pensei que fizesse parte da trama.
nota mental: "Caralho, adivinhei antes...que foda que sou!"
Mas o conto acaba e aquele fator bizarro não foi desenvolvido, muito menos apresentado.
nota mental: "Caralho, que porra é essa...vai ser foda dormir!"
Agora deixo só o convite à leitura e que depois possamos debater sobre o evento.
Beijos e inté!