Memorial de Aires -

    Machado de Assis

    Ática
    2011
    192 páginas
    6h 24m
    ISBN-13: 9788508131891
    Português Brasileiro

    Sexagenário, ex-diplomata aposentado, o conselheiro Aires faz um relato do cotidiano na Corte carioca dos anos de 1888 e 1889. Registrando reflexões sobre fatos e pessoas com as quais conviveu, tece impressões sobre o amor desinteressado, a fidelidade de sentimentos e a espontaneidade da amizade. Derradeira narrativa de um dos mestres da literatura brasileira, este livro apresenta uma reflexão de Machado de Assis sobre a própria obra, revelando a sólida consistência de seu estilo irônico e a atualidade de sua visão de mundo. De acordo com o crítico literário Alfredo Bosi, que escreveu a apresentação do livro, "O reconhecimento e a aceitação dos labirintos sem fim que os homens têm construído para disfarçar a sua reiterada situação de carência, desejo e medo parece ser a lição última do Memorial de Aires. "

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    Fabio Shiva28/08/2010Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Um romance de despedida

    Um romance sobre a despedida. “Memorial de Aires” foi o último romance de Machado de Assis, publicado em 1908, mesmo ano de sua morte. Recomendável para os que já amam Machado. Pois sua beleza maior está em ser o término de uma vida de narrativas, o verso final proferido pelos lábios moribundos do poeta, o desfecho, o lacre, a tampa do caixão. Para mim, que já o amo, esse livro trouxe um profundo sabor de velhice, de saudades irreconciliáveis, de uma ternura cansada pelos achaques da idade, mas de modo algum vencida, uma ternura essencial que parece o tesouro maior que o autor salvou para o último de seus livros. Pela estrutura é muito semelhante a “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, com uma diferença crucial: aqui não há veneno. É como se o Conselheiro Aires (já presente em “Esaú e Jacó”), aposentado das exigências da vida diplomática, estivesse cansado do olhar crítico e da ironia, preferindo enxergar e contar o bem onde antes fazia questão de tecer o mal. O resultado é um livro suave, ameno, um pouco triste e monótono também. Exatamente como imaginamos a velhice. (14.12.09)

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